Malungagem destaca herança afro-brasileira no Museu Afro do Rio

Encerramento do ciclo exalta a influência cultural das macumbas na música brasileira.

07/11/2025 às 13:12
Por: Redação
A celebração da cultura afro-brasileira ocorre nesta sexta-feira (7), com a conclusão do ciclo Malungagem no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), na Gamboa, Rio de Janeiro. O evento homenageia a influência das macumbas na música contemporânea do país. Iniciado em setembro no terreiro Jeje, Ilê Omo Iya Ade Omin, o projeto teve seu segundo encontro em outubro, no Centro de Cultura Única na Pedra do Sal. Alê, cantor e compositor, idealizador do evento, explica que o projeto excedeu suas expectativas, tornando-se um movimento de valorização cultural e reparação simbólica ao conectar a sociedade aos terreiros através da arte. Alê destaca a importância de dar voz às pessoas envolvidas na cultura dos terreiros, muitas vezes percebida sem compreensão como cultura. Ele vê a musicalidade como um elemento essencial da prática religiosa e enxerga a malungagem como o encontro daqueles descendentes de africanos trazidos ao Brasil, um reconhecimento das raízes afro-indígenas do país. O termo "malungo" simboliza a parceria entre africanos escravizados que viajavam nos navios negreiros. Alê ressalta que, apesar de rivalidades culturais, esses indivíduos encontraram forças para superar traumas e construir novas identidades. Apesar da persistente intolerância, Alê observa a influência africana na comunicação de zonas rurais e interiores do Brasil, evidenciando o "pretuguês" popularizado por Lélia Gonzalez. O projeto teve início com um debate sobre a influência dos candomblés na MPB, abrangendo diversos gêneros e destacando as referências aos orixás também no sertanejo tradicional. Com seu álbum "Igbá", Alê explora essas conexões. Cada etapa do evento começava com o toque do Ngoma, seguido por debates com líderes religiosos, culminando na música poética de Alê. Esta fase recebe convidados importantes da cultura afro-brasileira, como Hosania Nascimento, Criss Massa e Itana Gomes, que discutem a influência do axé na música, culinária e vestuário. Itana Gomes enfatiza a valorização das raízes culturais e observa um crescente interesse do público nas apresentações culturais, mesmo em face da intolerância. Criss Massa, por sua vez, valoriza a presença dos cantos religiosos no samba e outros gêneros como funk e rap, destacando a ancestralidade implícita nessas músicas. Hosania Nascimento apresenta iniciativas como o Quilombo Aquilah, que incorpora cânticos afro em escolas, buscando desmistificar e valorizar essas tradições como parte do patrimônio cultural. Além do show de Alê, a etapa contará com apresentações artísticas de Tairini Cristine e Maria Liberta. A programação inicia às 14h com DJ Tairini e se estende até a apresentação final às 19h. O evento é uma produção da Ubuntu Cultura e Arte com a Neggra Sim, financiado pelo edital Fluxos Fluminenses. Os ingressos gratuitos estão disponíveis online.

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