Mostra no Sesc resgata a importância do hip hop para as ruas de SP

A exposição 'HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break' no Sesc 24 de Maio mergulha na história do gênero, destacando a curadoria de OSGEMEOS e o protagonismo feminino no movimento.

16/11/2025 às 19:52
Por: Redação

A exposição "HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break", em cartaz no Sesc 24 de Maio, no centro da capital paulista, mergulha na rica história e na profunda relevância do hip-hop, não apenas para as ruas de São Paulo, mas para o cenário cultural de todo o Brasil. Aberta ao público até 29 de março de 2026, a mostra oferece uma visão abrangente do movimento que transcendeu a música e se tornou uma potente ferramenta de expressão social e artística.

A curadoria da exposição foi cuidadosamente elaborada por figuras proeminentes da cena paulista, incluindo OSGEMEOS, Rooneyoyo e Sharylaine, garantindo uma perspectiva autêntica e aprofundada. O acervo impressionante reúne mais de 3 mil peças históricas, entre fotografias raras, vestimentas originais, discos icônicos, equipamentos de DJ e vastos registros audiovisuais que documentam a trajetória vibrante do hip-hop desde suas origens até sua consolidação.

O protagonismo feminino no movimento

Um dos pontos centrais da mostra é o merecido destaque dado ao protagonismo feminino dentro do hip-hop. As artistas Sharylaine e Rose MC, em seus depoimentos, ressaltam o papel fundamental que as mulheres desempenharam a partir dos anos 1980, abrindo espaço para suas composições e rimas em um ambiente frequentemente machista, preconceituoso e sexista. A narrativa enfatiza a tenacidade e a garra dessas pioneiras.


Com luta e perseverança, essas mulheres meteram o pé na porta, conquistaram espaço com força e garra, moldando a cena e inspirando futuras gerações.


A exposição não apenas celebra a cultura do hip-hop em sua dimensão nacional, mas também contextualiza sua gênese e evolução global. Antes de conquistar o Brasil, o movimento nasceu de uma necessidade de expressão em um cenário de adversidade, transformando comunidades e se estabelecendo como uma voz potente para minorias. A transição para a origem internacional do gênero é explorada a seguir.

As raízes do hip-hop em Nova York

O hip-hop emergiu nas décadas de 1960 e 1970, nas comunidades do sul do Bronx, em Nova York, Estados Unidos, uma região marcada por intensa violência devido a conflitos de gangues e forte repressão policial. Conforme apontam os curadores OSGEMEOS, a essência do movimento brotou de forma espontânea, da busca por diversão e expressão entre amigos em meio a um cotidiano desafiador, forjando uma cultura de improviso e criatividade.


OSGEMEOS destacaram que o hip-hop aconteceu de forma muito natural e orgânica, em meio à complexidade da vida em Nova York e à necessidade de improviso para o entretenimento entre amigos.


A exposição faz questão de apresentar as figuras essenciais que pavimentaram o caminho para a notoriedade do hip-hop mundialmente. São citados os trabalhos pioneiros de Martha Cooper, uma das primeiras fotógrafas a documentar o movimento, e Henry Chalfant, diretor do aclamado filme "Style Wars", considerado o documentário definitivo sobre o gênero. Outros nomes como Afrika Bambaataa, fundador da primeira casa de hip-hop em 1983, Sugar Hill Gang, com sua gravadora inaugural, Van Maude, referência no grafite, e Michael Jackson, que incorporou o break em suas performances, são reconhecidos por sua contribuição decisiva. A mostra reverencia esses ícones com manequins que reproduzem suas aparências e exibem artigos de vestimenta originais, como camisetas e jaquetas, cedidos para a exposição.

A efervescência do hip-hop no Brasil

Embora a data exata da chegada do hip-hop ao Brasil seja incerta, sua ascensão explosiva ocorreu nos anos 1980, impulsionada pelo dançarino Ricardinho, do grupo Electric Boogies. Após retornar de uma viagem aos Estados Unidos, ele começou a realizar apresentações nas ruas do centro de São Paulo, introduzindo o breakdance. OSGEMEOS relatam que “quando ele volta para cá, vai nos bairros e começa a abrir roda de break. A galera não sabia o que era isso”, um marco que transformou ruas como 24 de Maio e São Bento em palcos improvisados, gerando, contudo, intensa repressão policial.

Um dos murais da exposição documenta essa fase: “Os agentes da corporação policial viam os dançarinos como vagabundos e marginais, gente na maioria preta, parda e periférica”, um reflexo da criminalização da cultura. O impacto duradouro do hip-hop é visível até hoje nos grafites que adornam diversas ruas de São Paulo, como o famoso Beco do Batman, na Vila Madalena. A exposição permanece disponível no Sesc 24 de Maio, na República, centro de São Paulo, de terça a sábado, das 9h às 21h, e nos domingos e feriados, das 9h às 18h, oferecendo uma oportunidade única de revisitar e celebrar essa história vibrante.

© Copyright 2025 - Três Lagoas News - Todos os direitos reservados