Ambiente de trabalho lidera casos de racismo no Brasil em 2025

Estudo revela que 30% das denúncias ocorrem em locais de trabalho, segundo Jusbrasil

20/11/2025 às 17:49
Por: Redação

Em 2025, o ambiente de trabalho se destacou como o principal local para denúncias de racismo e injúria racial no Brasil. A plataforma Jusbrasil, que compila informações legais no país, examinou 4.838 decisões judiciais publicadas de janeiro a outubro, mostrando que 30% dessas decisões, totalizando 1.407 casos, ocorreram no local de trabalho.

 

A análise revelou 1.113 casos com vínculo direto entre empregadores e empregados, superados apenas por agressões de desconhecidos, que resultaram em 1.291 decisões. Os dados colocam o ambiente de trabalho à frente de outras ocorrências em espaços públicos e estabelecimentos comerciais, com 974 e 805 decisões, respectivamente, durante o mesmo período.

 

Estatísticas alarmantes

O levantamento apontou que 39,5% das decisões resultaram em condenações criminais, totalizando 1.910 casos. O estudo utilizou inteligência artificial para a análise de palavras-chave, acompanhada por especialistas em informações jurídicas, destacando a importância do acesso a dados estruturados para debates sociais e institucionais sobre discriminação racial.


"Quando analisamos dados jurídicos relevantes, ampliamos o debate e pautamos políticas públicas essenciais para enfrentar problemas como o racismo", afirmou Cecília Veloso, pesquisadora do estudo.


A dimensão do problema é reforçada pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, que registrou 18,2 mil casos de injúria racial e 18.923 de racismo no ano anterior. Em abril de 2025, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto aumentando a pena para injúria racial ao tratar de crimes contra mulheres ou idosos.

 

Legislação e medidas de enfrentamento

Conforme o projeto, atualmente, as penas variam de dois a cinco anos de prisão mais multa, podendo ser ampliadas de um a dois terços em casos contra grupos vulneráveis. Nos 1.407 casos registrados em locais de trabalho, 554 vítimas eram mulheres, 239 homens, e em 613 ocorrências, o gênero não foi preciso.


Os dados mostram a urgência de políticas públicas para combater práticas discriminatórias em ambientes profissionais e outros espaços de convivência.


A divulgação desses dados coincide com um esforço maior de conscientização e mobilização em defesa da população afrodescendente no Brasil, especialmente no dia 20 de novembro, quando se comemora o Dia da Consciência Negra. Esse cenário demanda uma atuação incisiva das autoridades para promover igualdade e combater práticas de discriminação racial.

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