Ana Paula Gomes de Oliveira, de 48 anos, residente na favela de Manguinhos no Rio de Janeiro, foi recentemente agraciada com o prestigiado prêmio Martin Ennals, equivalente ao Nobel dos Direitos Humanos. Sua atuação é reconhecida por denunciar a violência estatal e por lutar ao lado de outras mães de vítimas da letalidade policial, após perder seu filho, Johnatha, em 2014, durante uma operação policial. O prêmio destaca a trajetória de Ana Paula como símbolo nacional e internacional na defesa dos direitos humanos e contra o racismo institucional. Desde a morte de seu filho, ela se tornou referência ao criar o movimento Mães de Manguinhos, um coletivo que busca responsabilidade por homicídios e abusos cometidos por forças policiais. Este grupo trabalha em parceria com a Rede de Assistência às Vítimas da Violência de Estado, oferecendo apoio e propondo reformas legislativas. "Sinto que uma parte de mim morreu com meu filho. Através da minha luta, encontrei uma maneira de manter meu papel materno. Se eu parar de fazer isso, eu morro", desabafou Ana Paula. Mesmo diante de ameaças constantes, Ana Paula permanece uma das vozes mais ativas contra o racismo e a violência policial no Brasil. Sua perseverança é um farol de resistência em um cenário de contínuas violações dos direitos humanos.