Ativista palestina acusa Israel de violações e exige justiça climática na COP30

Salma Barakat, do movimento Stop the Wall, denuncia ocupação e genocídio, conectando a luta palestina à emergência ambiental global.

16/11/2025 às 14:25
Por: Redação

A ativista Salma Barakat, coordenadora do movimento Stop the Wall, que há vinte anos denuncia violências praticadas pelo governo de Israel, fez um apelo por justiça climática e acusou Israel de violações durante a Cúpula dos Povos, evento paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém. Em entrevista à Agência Brasil na Universidade Federal do Pará (UFPA), Barakat, que é palestina e reside em Jerusalém, destacou a luta contra a ocupação, a colonização e o genocídio em Gaza.

A ativista enfatizou que a mensagem principal do Stop the Wall é rejeitar a existência de um “muro do apartheid” que divide palestinos e suas terras. Ela ressaltou a importância de um movimento popular e de base para combater qualquer forma de colonização, não apenas na Palestina, mas também em países africanos e na América Latina, defendendo que todos os povos têm direito à autodeterminação e à integridade territorial.

Críticas à postura israelense e acusações de desumanização

Salma Barakat descreveu como Israel percebe as ações do Stop the Wall, afirmando que o governo israelense não reconhece a colonização e considera qualquer ato do movimento como terrorismo. Segundo a ativista, Israel se vê como o legítimo proprietário da terra, tratando os palestinos como não-originários e desumanizando-os, uma narrativa que ela compara ao que ocorreu na África do Sul durante o apartheid.

Ela usou a situação em Gaza como um exemplo chocante dessa desumanização, onde bombardeios e mortes de civis, incluindo crianças e mulheres, são justificados sob a premissa de que não se trata de seres humanos, mas de “animais que precisam ser mortos”. Barakat argumenta que essa retórica facilita as violações e a impunidade, minando qualquer chance de diálogo ou reconhecimento dos direitos palestinos.


“Israel nos vê como não-humanos, uma justificativa para o genocídio em Gaza e outras violências, repetindo padrões de desumanização vistos em outros processos de colonização”, destacou Salma Barakat.


A ativista também estabeleceu uma conexão direta entre o que ocorre na Palestina e as discussões sobre a emergência climática na COP30. Ela apontou que Israel, ao bombardear Gaza e destruir árvores, bem como roubar a água dos palestinos – que não têm acesso a água limpa enquanto os israelenses têm –, contradiz sua imagem de fornecedor de “soluções verdes” e climáticas ao mundo, que seriam “soluções falsas” promovidas por grandes corporações.

Sinergia entre a causa palestina e as lutas indígenas

Salma Barakat traçou paralelos com as lutas dos povos indígenas no Brasil, expressando profunda emoção ao ouvir relatos de comunidades locais. Ela enfatizou a similaridade entre a luta palestina pela conexão com a terra e a dos povos originários que resistem ao deslocamento forçado e à exploração por grandes corporações e governos. Para a ativista, a libertação da Palestina e a dos povos indígenas estão intrinsecamente ligadas, pois enfrentam mecanismos semelhantes de opressão.


“Quando pedimos o fim do agronegócio destrutivo e da indústria militar pela Palestina, isso beneficia também os povos indígenas, pois a mesma empresa que nos mata, mata na América Latina”, afirmou a coordenadora do Stop the Wall.


Ela exemplificou o deslocamento forçado ao descrever a destruição de árvores, a contaminação da água, a fome e a sede, métodos que, segundo ela, são aplicados tanto aos povos indígenas quanto à população de Gaza. Barakat citou a temporada de colheita de oliveiras na Palestina, uma tradição ancestral que hoje é impedida por colonos e soldados, que matam palestinos e roubam azeitonas, reforçando a natureza da violência cultural e econômica.

Em Belém, a Coalizão Palestina na COP30 organizou uma petição para expulsar Israel do evento, questionando como um Estado que pratica tais atos pode participar de discussões sobre justiça climática. A ativista mencionou que a delegação israelense este ano foi menor, indicando um impacto inicial do trabalho de advocacy. A Coalizão também incluiu suas demandas na Declaração dos Povos, a ser entregue à presidência da COP30, e busca o fim das relações comerciais e econômicas entre Brasil e Israel, visando evitar a normalização de crimes contra a humanidade, seguindo exemplos de sucesso em outros países, como a Colômbia.

© Copyright 2025 - Três Lagoas News - Todos os direitos reservados