Ativistas destacam desafios para alcançar igualdade racial no Brasil

Apesar de avanços, violência e ideologias conservadoras dificultam progresso, segundo líderes negras

20/11/2025 às 12:48
Por: Redação

Ativistas do movimento negro apontam que, apesar dos avanços conquistados por meio de políticas afirmativas e demarcação de territórios quilombolas, a igualdade racial ainda parece distante no Brasil. Este cenário se acentua pelo aumento da violência racial e pela resistência de movimentos que negam a existência do racismo, conforme discutido em entrevistas concedidas à Agência Brasil no âmbito do Dia da Consciência Negra.

 

Carmela Zigoni, assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), expressou ceticismo sobre as melhorias em igualdade racial no país. Ela destacou, em entrevista à Agência Brasil, que a sociedade brasileira enfrenta desafios significativos para atingir a equidade racial, citando exemplos como a recente invasão da escola Emei Antônio Bento por policiais, em resposta ao ensino sobre cultura afro-brasileira.

 

Impactos do governo e políticas atuais

Carmela criticou a gestão do governo anterior, que considerou racista por remover políticas de igualdade racial dos planos governamentais. Ela, contudo, elogiou a retomada dessas políticas pela administração atual, que incluiu novamente essas questões no plano plurianual e iniciou processos de regularização fundiária para comunidades quilombolas, além de alocar recursos para fomentar essas mudanças.


“Demos alguns passos para trás como sociedade. A gestão anterior foi extremamente racista, ao retirar a política de igualdade racial do plano de governo”, afirmou Carmela.


A ativista de direitos humanos e fundadora da ONG Criola, Lúcia Xavier, observou que a mudança de um governo conservador para um mais democrático trouxe certa melhora, mas ressaltou que isso não implica em avanços significativos nos direitos da população negra. Para Lúcia, são necessárias ações mais efetivas para superar desigualdades e reduzir a violência enfrentada por esses grupos.

 

Conquistas e desafios persistentes

Alane Reis, coordenadora da Revista Afirmativa, destacou a importância das conquistas obtidas ao longo de décadas pela luta coletiva da população negra. Embora reconheça os avanços, ela aponta que muitas batalhas ainda são necessárias, incluindo a luta pela efetivação dos direitos quilombolas e a demarcação de seus territórios, como garantidos pela Constituição.


“Nos últimos anos rompemos com o mito da democracia racial, apesar da resistência de grupos conservadores”, afirmou Alane.


Alane enfatiza a necessidade de políticas que promovam oportunidades e direitos para a população negra. Segundo ela, as mulheres negras, em especial, continuam a enfrentar desvantagens em várias áreas, como inserção no mercado de trabalho e representação política, evidenciando a importância de políticas afirmativas que melhoraram a autoestima e a identidade dos jovens negros nas últimas décadas.

 

Dados recentes do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania revelam que, em 2025, o Disque 100 registrou 13.813 denúncias relacionadas à igualdade racial, abrangendo racismo e violência étnico-racial, com São Paulo liderando as denúncias. As mulheres representaram a maioria das vítimas, indicando persistência das desigualdades de gênero e raça em denúncias de violações.

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