Ativistas pedem ação climática justa em conferência global

Demandam instrumento para financiar transição sustentável e equitativa

11/11/2025 às 22:48
Por: Redação

Durante o segundo dia da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém, ativistas da Climate Action Network (CAN) realizaram um protesto nos corredores da zona azul. O grupo pressiona por um instrumento multilateral que promova uma transição justa nas ações climáticas.

O chamado Mecanismo de Ação de Belém, ou BAM, seria responsável por coordenar esforços globais, criando uma linguagem comum e facilitando o acesso a financiamentos e tecnologia. Este mecanismo seria baseado em direitos humanos, equidade e inclusão, conforme defendem os ativistas presentes.

Esforços e desafios globais

Kevin Vctor Buckland, representando a CAN, destacou que, enquanto as negociações avançam, as ações concretas não acompanham o texto. Buckland aponta que o financiamento prometido por nações desenvolvidas ainda não foi honrado, com países ricos alegando falta de recursos.

"O financiamento que foi prometido há anos ainda não foi pago. O problema não é a falta de recursos — é a falta de justiça", afirmou Buckland.

A CAN reúne mais de 1,9 mil organizações de mais de 130 países, focadas em combater a crise climática. Os ativistas demandam que aqueles responsáveis pela crise paguem suas dívidas históricas, apoiando as comunidades mais afetadas.

Bastidores e impactos econômicos

Nos corredores da conferência, manifestantes chamaram atenção com cartazes que pedem transição justa e justiça climática. Buckland observou que o evento atrai milhares de lobistas dos combustíveis fósseis, sublinhando a necessidade de pressão pública para moldar as narrativas e influenciar as negociações.

Buckland descreveu a situação como "um momento de Davi contra Golias", reiterando o compromisso dos ativistas com a justiça climática.

Realizada pela primeira vez na Amazônia, a COP30 busca recolocar as mudanças climáticas no centro da agenda global. Para a CAN, a transição justa também serve como ferramenta para combater a pobreza e curar as cicatrizes de colonização e desigualdade econômica.

"Vivemos um momento em que bilionários detêm fortunas enquanto muitos enfrentam a falta. Defendemos que esses recursos sejam redistribuídos, que haja taxação justa sobre grandes fortunas", afirmou Buckland, citando exemplos como Elon Musk.

A COP30 segue até 21 de novembro, discutindo mais de 145 temas prioritários, incluindo a capacitação de países mais pobres e transferências tecnológicas para reduzir emissões de gases de efeito estufa. O evento também aborda medidas de adaptação climática para proteger comunidades dos efeitos devastadores de eventos climáticos extremos.

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