Avanços nas Negociações Marcam Primeira Semana da COP30

Com 194 países negociando, expectativa cresce por acordos sobre financiamento climático e adaptação.

15/11/2025 às 12:00
Por: Redação
A primeira semana da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, aproxima-se do fim com as intensas negociações entre 194 países. O foco está em acordos sobre financiamento climático, adaptação e monitoramento das metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. No sábado (15), os grupos negociadores buscarão finalizar os textos que, na semana seguinte, serão submetidos a ministros de primeiro escalão para angariar possíveis acordos. Um ponto crucial é o artigo 9.1 do Acordo de Paris, que trata da obrigação dos países desenvolvidos de financiar os em desenvolvimento, ainda sem acordo definitivo. Apesar do valor estabelecido de 300 bilhões de dólares anuais na COP29, este é considerado insuficiente. As presidências da COP30 e COP29 propõem aumentar o financiamento para 1,3 trilhão de dólares por ano, mas há incertezas quanto à aceitação. O relatório síntese das Contribuições Nacionais Determinadas (NDCs) também foi destaque, com metas consideradas insatisfatórias por cientistas. Pesquisadores alertam para a necessidade de reduzir as emissões em 5% ao ano para evitar um perigoso aumento de temperatura. Johan Rockström, do Instituto Potsdam, destacou que a lacuna existente não pode ser tratada lentamente: "É necessário um rápido avanço e seguir a ciência", disse ele, acrescentando a necessidade de remover 2 bilhões de toneladas de CO2 globalmente. Ricarda Winkelmann, do Instituto Max Planck, enfatizou o aumento na frequência de eventos extremos devido ao aquecimento, prevendo que "ondas de calor podem se multiplicar", afetando as próximas gerações. A sociedade civil demonstrou otimismo quanto à transição dos combustíveis fósseis, com avanços nos mapas de transição elogiados por Natalie Unterstell do Instituto Talanoa. Já em relação à Meta Global de Adaptação (GGA) do Acordo de Paris, há desafios, com o grupo africano sugerindo a extensão do trabalho técnico até 2027, o que preocupa outros países. "Adiar a adaptação comprometeria ações cruciais", destacou Unterstell. Florence Laloë, da Conservação Internacional, também alertou para os impactos negativos de atrasos, especialmente em áreas vulneráveis.

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