Movimentos sociais e coletivos reunirão milhares de pessoas em Belém para a Marcha Mundial pelo Clima, marcada para este sábado (15). O evento ocorre paralelamente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) e espera-se a presença de representantes de organizações de todos os continentes, com forte participação de comunidades locais. A manifestação integra a Cúpula dos Povos e contará com a presença da COP das Baixadas. Durante a marcha, será lançada uma carta destacando reivindicações como demarcação de territórios tradicionais, financiamento para uma transição justa para uma economia de baixo carbono e ações contra o aquecimento global. ### Presença relevante da sociedade civil A COP30 em Belém marca a retomada da ativa participação da sociedade civil, após edições em países com regimes autoritários. Nos dias que antecederam a marcha, ocorreram várias manifestações, como o confronto de indígenas com seguranças para acesso à Zona Azul, e a marcha de extrativistas exigindo reconhecimento por sua proteção das florestas. "Trata-se de um grande momento de vazão de demandas populares e de poder decisório global", explica Carol Santos, da diretoria do Engajamundo. Ao longo da semana, eventos como oficinas e apresentações culturais serão realizados, destacando as figuras folclóricas da região. Este ano, o tema "Lutar e Resistir contra os Predadores da Vida Disfarçados de Progresso" reflete a resistência aos impactos das catástrofes climáticas. ### Mobilização e desafios globais A mobilização de povos indígenas e comunidades tradicionais é intensa para a marcha e para as discussões na COP30. No Espaço Chico Mendes, debates serão conduzidos até o dia 21, abordando a necessidade de cooperação internacional na governança climática. Lygia Nassar destaca a "cooperação internacional como determinante na nova governança global". Marcos Wesley, do Comitê COP 30, afirma que a pressão popular é crucial para influenciar os participantes da conferência. O grupo lançou um documento com propostas sobre a agenda climática, fruto da colaboração de cerca de cem organizações. A Cúpula dos Povos, iniciada com uma barqueata pelo Rio Guamá, se encerra no domingo (16), quando o embaixador André Corrêa do Lago participará do encontro final, recebendo formalmente as demandas das entidades para influenciar as negociações subsequentes.