Cacica Juma Xipaia alerta para impactos de projetos na Amazônia

Líder indígena participa da COP30, defendendo terras e criticando megaprojetos

21/11/2025 às 18:37
Por: Redação

Nos rios e matas do Xingu, nas posições de liderança política ou até mesmo nos eventos de Hollywood, Juma Xipaia manteve sua atuação consistente em defesa dos direitos dos povos indígenas e da proteção da biodiversidade amazônica. Recentemente, ganhou destaque pelo documentário Yanuni, coproduzido com Leonardo DiCaprio, que está conquistando prêmios no Brasil e no exterior, além de tentar uma indicação ao Oscar.

 

Antes de alcançar as telas do cinema, ela já era reconhecida como líder da Aldeia Kaarimã, localizada na Terra Indígena Xipaya, na região do Xingu, no Pará. Sua trajetória de enfrentamento inclui resistir aos impactos da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, e ela continua denunciando os riscos que outros megaprojetos, como a Ferrogrão e a Hidrovia do Tapajós, podem gerar para as comunidades locais.

 

Compromissos na Conferência do Clima

Participando ativamente na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), Juma destacou-se nos debates que envolvem povos originários, movimentos sociais e temas de justiça climática. Ela reafirmou a importância da demarcação dos territórios indígenas como medida essencial para o futuro do planeta.


“Lutar pela demarcação de territórios não é apenas garantir um espaço físico, mas manter a floresta de pé e proteger toda a biodiversidade,” afirmou Juma.


Juma sublinhou que, apesar de uma diminuição no desmatamento, a violência nas terras indígenas – alimentada pela especulação imobiliária e pelo garimpo – continua crítica. Ela destacou a necessidade de uma maior integração dos povos indígenas de todos os biomas nas discussões e tomadas de decisão.

 

Repercussões e resistência

O evento na Amazônia, segundo a cacica, facilita a mobilização das comunidades tradicionais e de movimentos sociais. Juma elogiou o caráter democrático dos debates no Brasil, contrastando com as dificuldades enfrentadas em COPs realizadas em outros países com menos liberdade para manifestações.


“É uma luta por dignidade e bem-viver. Ver resultados concretos, como a demarcação de territórios anunciada logo após manifestações, reforça a importância dessa participação”, declarou Juma.


A liderança indígena nutre ainda ceticismo quanto aos processos de transição energética que excluem a participação de comunidades ribeirinhas e extrativistas. Sem consulta e inclusão, a transição, afirma ela, não pode ser considerada justa ou limpa.

 

Amplificando vozes através do cinema

A decisão de produzir o documentário Yanuni foi uma resposta às ameaças e ao silenciamento enfrentado por Juma. Ela enxergou no projeto uma oportunidade de amplificar não apenas sua própria voz, mas também a de diversos povos que defendem a floresta amazônica.


“O filme não é um ponto final, mas sim um chamado para o mundo sobre a urgência de proteger a floresta,” afirmou a cacica.


O Instituto Juma, também fundado por ela, continua suas atividades em diversas frentes de defesa da floresta e da biodiversidade, mostrando que a luta indígena se estende além das telas e integra um longo histórico de resistência e preservação cultural e ambiental.

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