Cacique Raoni condena exploração petrolífera na Amazônia na COP30

Durante manifestação, líder indígena apela a líderes globais e reforça preservação

12/11/2025 às 19:21
Por: Redação

Durante a 'barqueata' ocorrida dentro da programação da Cúpula dos Povos, evento paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), o cacique Raoni Metuktire fez duras críticas à exploração de petróleo e mineração em terras indígenas, enfatizando a importância de preservar a Amazônia. O evento ocorreu em novembro de 2025, contando com a presença de diversas lideranças ambientais.

Raoni, conhecido mundialmente por sua defesa incansável dos direitos dos povos indígenas, mencionou ter discutido o tema recentemente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente francês Emmanuel Macron, solicitando a ambos que não autorizem perfurações na floresta amazônica.

Encontro com líderes mundiais

"Eu falei com o presidente Lula para ele não procurar petróleo aqui. Vou continuar cobrando. Penso em marcar um novo encontro com ele para falar sobre isso. Temos que ser respeitados", declarou o líder indígena. Em outubro, a Petrobras obteve licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar exploração na Margem Equatorial, uma área no norte do Brasil rica em petróleo. Esta decisão foi bastante criticada por ambientalistas que temem pelo impacto ambiental.

"Quando encontro autoridades lá fora do país, nenhuma me oferece dinheiro em troca de madeiras no meu território, nenhum me oferece dinheiro em troca de minérios no meu território. Mas eu os cobro diretamente", afirmou Raoni.

De acordo com o cacique, o Brasil tem uma responsabilidade global diante da crise climática e a Amazônia é vital para o mundo. Ele ressaltou a necessidade de consciência e respeito em relação à floresta, pedindo ação unificada de povos e nações.

Compromisso com o planeta

Raoni, uma figura icônica na luta pela preservação, participou ativamente de movimentos desde os anos 1950. Estima-se que tenha cerca de 90 anos. Ele mencionou o papel significativo das mulheres indígenas nas mobilizações e o impacto da participação das novas gerações. "Elas estão tendo opinião, estão com vontade de participar. Eu apoio e gosto das mulheres que estão junto com a gente nessas mobilizações", destacou.

"Precisamos cuidar do planeta. Se continuar o desmatamento, nossos filhos e netos vão ter problemas sérios. O nosso território garante a respiração do mundo inteiro", alertou Raoni.

Com uma trajetória marcada por viagens internacionais e constantes apelos por justiça social, Raoni continua sua defesa da preservação ambiental. Em 2023, ele foi destaque na posse do presidente Lula, reafirmando seu compromisso histórico com a causa indígena. Ele conclui reiterando que a manutenção das florestas é essencial para evitar catástrofes futuras.

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