
A Caravana África Diversa chega ao Rio de Janeiro neste sábado, 22 de novembro, e seguirá até quinta-feira, 27. O evento desembarcou anteriormente em Nantes, na França, celebrando os 200 anos de relações franco-brasileiras e a primeira Temporada Brasileira na França, em 2005.
A escolha de Nantes e Rio não é aleatória; ambas as cidades foram portos que acolheram milhares de africanos escravizados. Nantes, por exemplo, embarcou mais de 500 mil pessoas escravizadas em direção às Américas, evidenciando a história comum entre os dois locais.
A curadora Daniele Ramalho, cuja história familiar atravessa ambas as cidades, identifica semelhanças notáveis. Sua avó materna nasceu em Nantes, e Ramalho realizou seus estudos no Liceu Franco Brasileiro, aprofundando-se em pesquisas sobre a África francófona.
"O Rio de Janeiro foi o maior porto de escravizados fora da África, enquanto Nantes é o maior porto da França e Europa nesse contexto", explica Daniele.
A guardiã da festa do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, Capitã Pedrina, vê o Brasil adiantado em políticas públicas para negros comparado à França, onde os afrodescendentes ainda ocupam principalmente as periferias.
Desde sua criação em 2011, a Caravana África Diversa tem avançado em temas como reparação e diversidade cultural. Segundo Daniele, há um crescimento na presença de intelectuais negros em universidades e museus.
Ainda há desafios, especialmente ligados ao racismo e desigualdade social, segundo Capitã Pedrina.
As sociedades africana e brasileira promovem a coletividade e partilha. No Ano do Brasil na França, essas temáticas são complementadas por discussões sobre meio ambiente e democracia.
A Rainha Konga, Ana Luzia de Moraes, observa diferenças cruciais entre as populações negras de Nantes e do Brasil, principalmente em termos de inclusão e visibilidade no espaço urbano.
Moraes ressalta a importância de conscientizar politicamente e espiritualmente sua comunidade sobre essas realidades e lutar por uma mudança global.
A interação com diferentes realidades culturais reforça a necessidade de continuação das discussões sobre igualdade e justiça social, não apenas no Brasil, mas internacionalmente, fortalecendo laços culturais e históricos.