Na cidade de Genebra, Suíça, aproximadamente 900 representantes de 50 países reúnem-se em uma conferência internacional para debater políticas de apoio às famílias de pessoas desaparecidas. Realizado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), o evento ocorre tanto presencialmente quanto online, finalizando hoje (13). Entre os participantes, o Brasil conta com uma delegação de mais de 50 pessoas, que se encontram na sede do CICV em São Paulo. Este grupo inclui representantes de associações de nove estados, os quais participam de forma virtual, compartilhando suas experiências em busca de apoio e soluções. ## Estratégias de Cooperação Internacional Durante a conferência, discutem-se estratégias para aprimorar mecanismos de busca e prestar apoio jurídico, de saúde, e memória às famílias envolvidas. Fernanda Baldo, oficial de proteção do CICV, destaca que esses encontros são fundamentais para criar agendas comuns e estabelecer diálogos com as autoridades. "No Brasil, têm-se reunido anualmente para construir estratégias de organização e articulação com as autoridades", explica Baldo. Este evento possibilita que grupos nacionais conheçam diferentes realidades e utilizem essas lições para melhorar suas atuações locais. O Movimento Nacional de Familiares de Pessoas Desaparecidas, criado no ano passado, é um exemplo de iniciativa derivada dessas conferências. ## Desafios Locais e Perspectivas Futuras No Brasil, associações buscam integrar lutas distintas em torno de um objetivo comum. A criação de um Banco Nacional de Amostras Genéticas é uma das demandas prioritárias, além da consolidação do Cadastro Nacional de Desaparecidos, crucial para melhorar investigações e identificações. "As famílias ainda enfrentam desafios para realizar reuniões com objetivos claros com o governo para monitorar a implementação de políticas", disse Baldo. Nos bastidores, o trabalho contínuo em busca de estruturação e reconhecimento é fundamental. As dificuldades persistem, como a necessidade de integrar bancos de dados estaduais, e a busca por efetivação dos direitos das famílias continua intensa. ## O Impacto da História e a Cooperação Internacional A mobilização começou nos anos de chumbo da ditadura, evidenciada pelo trabalho em torno da vala clandestina de Perus. Essa articulação contribuiu para a unificação de vozes e demandas, como destaca Hânya Pereira Rego, cuja trajetória pessoal ainda busca respostas sobre o paradeiro de seu pai, desaparecido desde 1975. "Foi um intenso trabalho para superar barreiras e nos tornamos uma única voz", acrescenta Hânya. A colaboração com outros países e a troca de experiências são cruciais para fortalecer as estratégias nacionais. A partilha de conhecimentos em conferências como essa traz inovação e novas perspectivas para o enfrentamento coletivo dos desafios apresentados. ## Construindo Redes de Apoio A conferência destaca a importância das redes de apoio locais e internacionais na busca por soluções e justiça. Estas mobilizações também garantem a dignidade e visibilidade dos casos de desaparecimento, reforçando a pressão sobre autoridades e sociedade civil para a tomada de medidas adequadas. "É nessas conferências que vemos a força das experiências conjuntas, exigindo a busca por todos os desaparecidos", salienta José Benjamim Gamboa Lizarazo, representante colombiano. Estas iniciativas também são oportunidades para aprender sobre as práticas eficazes adotadas por outros países, ampliando a compreensão sobre estratégias de execução e monitoramento de políticas públicas em prol dos desaparecidos e suas famílias.