COP30 destaca desafios para conter aquecimento global

Compromissos climáticos dependem de ações urgentes para limitar aquecimento

12/11/2025 às 11:15
Por: Redação

Na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em andamento, os países enfrentam o desafio de assumir compromissos para limitar o aquecimento global. O objetivo central é respeitar o Acordo de Paris, que impõe a meta de não ultrapassar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. No entanto, alcançar esse objetivo exige que as emissões de gases de efeito estufa atinjam seu pico até 2025 e diminuam 43% até 2030, conforme afirma a cientista Marina Hirata.

Marina, integrante do conselho científico da COP30 e vinculada ao Instituto Serrapilheira, alerta que já não estamos mais no caminho sugerido. Com um aumento de temperatura de 1,31°C, e perto de exceder os 1,5°C, o planeta pode entrar em overshooting, onde o aquecimento ultrapassa níveis seguros, resultando em possíveis danos irreversíveis a sistemas naturais.

Ameaças aos ecossistemas e mudanças drásticas

A cientista explica que ultrapassar o limite de 1,5°C pode levar a transformações severas nos ecossistemas. Os fatores de risco incluem danos a recifes de corais, aquecimento dos oceanos e secas extremas na Amazônia, comprometendo a funcionalidade do sistema terrestre de forma semelhante às interações em órgãos vitais do corpo humano.

"Já deveríamos ter virado a curva das emissões entre 2020 e 2025. Isso não aconteceu. Agora, o esforço é manter esse aumento pelo menor tempo possível", alerta Hirata.

Além disso, a cientista enfatiza que uma comunicação mais eficaz entre ciência e sociedade é crucial para mobilizar medidas que contenham o aquecimento global. Eventos como o Pavilhão de Ciências na COP30 são fundamentais para levar tal conhecimento ao público e às autoridades.

Comunicação científica e engajamento social

Marina reforça que a linguagem científica muitas vezes é técnica demais, destacando a importância de traduzir conceitos complexos para o cotidiano das pessoas. Iniciativas que colocam cientistas em colaboração com jornalistas são vitais para que noções como "ponto de não retorno" sejam compreendidas por todos.

"Os cientistas têm linguagem muito técnica. Precisamos aprender a nos comunicar melhor e trabalhar em pares, como jornalistas e cientistas", comentou.

A crise climática requer ações coletivas para motivar mudanças. Isso envolve desde mobilização social até decisões políticas e atitudes cotidianas que incentivem outros a se envolverem em pautas ambientais, sublinha a cientista.

"Tem gente que fala ser necessário acabar com tudo, começar o planeta de novo, mas isso não é possível. Precisamos agir no nosso cotidiano, ser exemplo para outras pessoas", concluiu.

Essas palavras ecoam a urgência de levar adiante um esforço conjunto, integrando cientistas em torno de uma mensagem comum para sensibilizar a sociedade sobre a gravidade da situação climática.

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