
Em um preocupante desenvolvimento, a presença de facções criminosas na Amazônia aumentou 32% no último ano, afetando agora 45% dos municípios que compõem a Amazônia Legal. Este dado alarmante foi revelado em estudo divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública durante a COP30, em Belém.
A investigação identificou que as 344 das 772 cidades na região estão sob a influência dessas organizações, um salto significativo em relação aos 260 municípios contados em 2024. A presença crescente do crime organizado é visível nas atividades ilegais, que vão desde o narcotráfico até a extração mineral em larga escala, como ocorre em Alta Floresta, Mato Grosso, onde o Comando Vermelho força trabalhadores a se registrarem e pagarem taxas mensais.
O avanço dessas facções é visto em diversas formas, como o controle das rotas fluviais, especialmente no rio Solimões. O CV e o PCC são dominantes, mas outras facções regionais e estrangeiras também estão ativas, incluindo o Tren de Aragua e o Estado Maior Central, da Colômbia.
“Essas facções veem na Amazônia novas oportunidades de lavagem de dinheiro”, explica Samira Bueno, diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O CV mantém forte presença em 286 cidades, controlando rotas e disputando territórios para o tráfico e garimpo, enquanto o PCC busca internacionalizar seus mercados, usando rotas aéreas ilegais.
Os índices de violência são alarmantes: 8.047 mortes violentas intencionais foram registradas em 2024, refletindo uma taxa 31% superior à média nacional. O Amapá destacou-se como o estado mais violento, enquanto o Maranhão apresentou aumento nas taxas de homicídio, alimentadas por conflitos entre facções.
Pelo avanço de facções, “Vila Bela da Santíssima Trindade, no Mato Grosso, viu assassinatos aumentarem de 12 para 42 entre 2022 e 2024”, observou Samira Bueno.
O crescimento do narcotráfico intensifica a insegurança pública na região, com o Mato Grosso se tornando um ponto estratégico devido à sua proximidade com a Bolívia.
As facções têm impacto direto também na segurança das mulheres. Em 2024, 586 mulheres foram assassinadas, taxa 21,8% superior à média nacional. No Mato Grosso, a situação é particularmente grave, com uma taxa de feminicídios de 5,3 por 100 mil habitantes.
Voltando-se para essa questão, Samira afirma que “as políticas precisam dialogar com a realidade das mulheres locais para serem eficazes”.
A adequação de políticas de enfrentamento à violência deve levar em conta as especificidades da região, como a situação em áreas de fronteira e territórios indígenas, conforme destaca a especialista.