Na pré-estreia do documentário *A Queda do Céu*, realizada em Belém, Davi Kopenawa, autor do livro que inspirou o filme, destacou a resistência do povo Yanomami contra invasores. O evento aconteceu durante a 10ª Mostra de Cinema da Amazônia, em paralelo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). Kopenawa discorreu sobre a cosmologia Yanomami e a importância da Terra Indígena para o equilíbrio ambiental. A primeira exibição pública do filme trouxe imagens marcantes, ressaltando a cultura através do ritual Reahu, associado ao falecimento de um grande xamã, sogro do autor, responsável pela sabedoria e práticas xamânicas. **Impacto Cultural e Mobilização Indígena** O documentário enfatiza o papel vital dos Yanomami desde os anos 1970 na proteção do território. Após a morte do xamã, Kopenawa se tornou o guardião do conhecimento ancestral e lidera esforços para defender os mais de 28 mil yanomamis que habitam áreas nos estados de Roraima e Amazonas até a Venezuela. "Vocês devem estar se perguntando como que o Kopenawa consegue fazer todo esse trabalho? É um trabalho diferente e a cultura da floresta é diferente", declarou. Assim como o livro escrito com Bruce Albert, o filme busca disseminar a sabedoria indígena, promovendo um entendimento global sobre a interdependência do homem com a natureza e a possibilidade de unir povos em defesa do planeta. **Reivindicações e Vozes Femininas** Contando com uma significativa contribuição Yanomami na parte técnica e narrativa, o diretor Eryk Rocha destaca a abordagem participativa na produção do documentário, que evoluiu em meio ao diálogo com Davi e outros membros da comunidade. “Nós mulheres que temos os filhos nascidos no chão da floresta, quando os garimpeiros se aproximam da nossa terra, eles estupram nossas filhas," denunciou a artista e escritora Ehuana Yaira. A expressão de Yaira durante a sessão reforçou a preocupação com a segurança das mulheres Yanomami em face das invasões, ressaltando a urgência de proteção e respeito aos direitos indígenas. **A Mostra e seu Alcance** A 10ª Mostra de Cinema da Amazônia oferece uma programação diversificada com entrada gratuita, exibindo filmes no Instituto de Ciências da Arte da UFPA e outros locais importantes de Belém. Com mais de 20 anos de história, a mostra já atingiu um vasto público em várias cidades e no exterior. Eduardo Souza, organizador da mostra, vê o evento como um catalisador de consciência social, promovendo debates e uma percepção do cinema como ferramenta de transformação, especialmente em tempos de COP30. Com convidados ilustres como Txai Suruí e Neidinha Suruí, a mostra busca engajar jovens e crianças, ressaltando seu papel educativo e inclusivo, além de seu potencial como "uma arma política" para conscientização ambiental.