A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou em uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) contra o blogueiro maranhense Luís Pablo, gerou críticas por parte de diversas associações dedicadas à defesa da liberdade de imprensa. O blogueiro é alvo de acusação pelo crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino.
Nesta quinta-feira, dia 12 de março de 2026, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) emitiram uma nota conjunta. No comunicado, as entidades expressaram profunda preocupação com a medida judicial e defenderam a revogação da decisão, argumentando que a atividade jornalística possui amparo na Constituição Federal.
“A atividade jornalística, independentemente do veículo e de sua linha editorial, conta com a proteção constitucional do sigilo da fonte. Qualquer medida que eventualmente viole tal garantia deve ser entendida como um ataque ao livre exercício do jornalismo”, declaram as associações.
Os agentes da Polícia Federal executaram a ordem judicial na residência do blogueiro Luís Pablo, localizada em São Luís, na terça-feira, 10 de março. Durante a ação, foram apreendidos computadores e aparelhos celulares pertencentes ao acusado.
A investigação aponta que o blogueiro teria monitorado os deslocamentos do automóvel oficial utilizado pelo ministro Flávio Dino e seus familiares no estado do Maranhão. O objetivo seria publicar reportagens que questionavam o suposto uso irregular do veículo, que, conforme informações, pertence ao Tribunal de Justiça e foi cedido à equipe de segurança responsável pela proteção do ministro.
O pedido para iniciar a investigação partiu da Polícia Federal, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) também manifestou parecer favorável à abertura do processo. Inicialmente, o caso foi encaminhado ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. No mês anterior, o ministro Zanin solicitou a redistribuição da ação, que então foi atribuída ao ministro Alexandre de Moraes.
Em resposta à manifestação das entidades de imprensa, o Supremo Tribunal Federal esclareceu que a equipe de segurança pessoal do ministro Flávio Dino foi informada, no ano passado, sobre o monitoramento de seus deslocamentos na capital maranhense. A Corte especificou que o blog do acusado não apenas identificou as placas dos veículos usados pelo ministro, mas também detalhou os nomes e o número de agentes encarregados de sua proteção.
Ao ter conhecimento desses fatos, os seguranças do ministro encaminharam o caso à Polícia Federal, que deu início à investigação. O STF também fez questão de ressaltar que o presente caso não possui qualquer relação com o inquérito conhecido como o das “fake news”.
Com relação ao uso de carros oficiais, o Supremo Tribunal Federal informou que a utilização desses veículos ocorre com a colaboração dos tribunais de Justiça estaduais. Essa prática, segundo a Corte, encontra amparo nas normas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A defesa de Luís Pablo divulgou uma nota em que afirma estar aguardando acesso completo ao processo para compreender os fundamentos da decisão que autorizou as buscas. Em seu comunicado, a defesa reiterou o compromisso de seu cliente:
“Luís Pablo reafirma seu compromisso com o exercício responsável do jornalismo, com a apuração de fatos de interesse público e com o respeito aos princípios constitucionais e convencionais que garantem a liberdade de imprensa e o direito à informação.”