Dia da Consciência Negra no Rio incentiva a economia negra

Evento destaca a importância do black money para o fortalecimento da comunidade afro-brasileira

20/11/2025 às 20:16
Por: Redação

Na emblemática Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro, o monumento dedicado a Zumbi dos Palmares foi o epicentro das celebrações do Dia da Consciência Negra nesta quinta-feira, 20 de novembro. O local foi tomado por manifestações culturais, incluindo música e dança, reforçando sua importância histórica para o movimento negro.

 

Durante o evento, um buffet especializado em culinária afro-brasileira tornou-se um ponto de destaque, refletindo o conceito da chamada "economia preta" promovida pela empreendedora Carol Paixão. Este conceito, também conhecido como black money, visa fortalecer o giro do capital dentro da comunidade negra.

 

Fortalecimento econômico comunitário

Carol Paixão, proprietária do estabelecimento Império Kush, acredita que a economia preta é uma extensão da ancestralidade africana, voltada para a empregabilidade e capacitação da população negra. A empreendedora enfatiza a importância das parcerias, garantindo que todos os fornecedores e prestadores de serviços sejam negros.


"É uma economia que bebe da africanidade", afirma Carol Paixão.


Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que pretos e pardos enfrentam mais desafios no mercado de trabalho, registrando níveis mais altos de desemprego e informalidade do que os brancos.

 

O chamado à reparação histórica

Luiz Eduardo Oliveira, conhecido como Negrogun e presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine), destacou a necessidade de reparação pelos séculos de escravidão. Junto a representantes governamentais e ativistas, ele enfatizou a contínua presença e persistência no monumento dedicado a Zumbi como um símbolo de resistência.


"Nós temos que ter reparação já", declarou Negrogun ao comentar as consequências do passado escravagista.


As questões de reparação também ressoam entre as comunidades quilombolas, que ainda enfrentam desafios significativos. Segundo o Censo do IBGE de 2022, 1,3 milhão de quilombolas vivem no Brasil, com muitos enfrentando condições precárias de saneamento.

 

Semelhanças entre quilombos e favelas

O escritor e ativista Gê Coelho traçou paralelos entre a resistência dos quilombos históricos e as modernas favelas. Ele sugere que, assim como os quilombos, as favelas são símbolos de resistência contra a opressão estatal. Defendendo a criação de universidades nas favelas, Coelho enfatiza a importância de narrativas autênticas sobre a realidade vivida por seus moradores.


"As favelas são uma luta contra a opressão do Estado às pessoas mais periféricas", observa Gê Coelho, autor do livro "Favelismo: A revolução que vem das favelas".


Atualmente, pretos e pardos compõem 55,5% da população brasileira e são a maioria nos domicílios nas favelas, segundo o IBGE.

 

Convocação para a Marcha das Mulheres Negras

Rose Cipriano, coordenadora do Comitê Estadual, fez um convite para a Segunda Marcha Nacional das Mulheres Negras, programada para 25 de novembro em Brasília. A marcha busca ressaltar a importância da reparação histórica e o bem-viver, ecoando a frase da ativista Angela Davis sobre o papel crucial das mulheres negras na sociedade.


"Mulheres negras movimentam a estrutura da sociedade", destaca Rose Cipriano, mencionando a expectativa de 1 milhão de participantes no evento.


Assim, o Dia da Consciência Negra no Rio de Janeiro não apenas celebrou a cultura afro-brasileira, mas também reafirmou a luta contínua por igualdade e reconhecimento nas estruturas sociais e econômicas do país.

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