A nova fase da Operação Sem Desconto, realizada pela Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) nesta quinta-feira, dia 13, desmantelou o núcleo central de um esquema de desvio no INSS. A investigação mira pessoas-chave que promoveram, por anos, o desconto ilegal de mensalidades de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social. O senador Carlos Viana, presidente da CPMI que acompanha o caso, confirmou que essa ação atingiu figuras essenciais dentro da quadrilha.
A operação resultou na prisão do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que foi detido devido ao seu envolvimento direto com os desvios. Em seu escritório de advocacia, seu filho, Eric Douglas Martins Fidelis, teria recebido cerca de 5,1 milhões de reais de dirigentes de entidades sob investigação. O foco desta etapa foi solidificar a quebra do esquema que afetou financeiramente milhares de segurados no Brasil.
Desdobramentos e Impacto
Os desdobramentos incluem também o envolvimento de importantes figuras públicas, como o ex-ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira, e dos deputados Euclydes Pettersen Neto e Edson Cunha de Araújo. Pettersen foi acusado de vender um avião a uma das entidades investigadas, enquanto Araújo é vinculado à Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura, aumentando o potencial de desenrolar ainda mais implicações políticas e financeiras.
“Hoje, a operação colocou na cadeia o núcleo principal de todos os desvios do INSS,” declarou Viana.
Os impactos políticos começaram a se evidenciar com a detenção de Stefanutto, que presidiu o INSS sob a indicação de Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência. Lupi pediu demissão após o escândalo vir à tona, deixando um vácuo em uma estrutura já fragilizada no instituto.Outros Parlamentares Envolvidos
A complexidade da trama se estende além dos já detidos e integra outros parlamentares, como afirmou Carlos Viana. A CPMI acredita que há mais figuras políticas envolvidas que deverão ser chamadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) para dar testemunhos sobre suas participações nos crimes associados.
“Há outros parlamentares que também têm envolvimento e que, no momento certo, prestarão depoimentos ao STF,” apontou Viana, destacando a importância de não comprometer a investigação.
As investigações delinearam três escalões de envolvidos: políticos que receberam propinas, servidores corrompidos que facilitaram os desvios, e operadores responsáveis pelos saques. O senador Viana destaca a importância de identificar como esses grupos operaram e quais benefícios políticos obtiveram.
“Agora queremos saber quem ajudou, quem indicou, quem nomeou e o que receberam para que este esquema pudesse continuar,” finalizou o senador.
Com o avanço da Operação Sem Desconto, a expectativa é que a CPMI e os investigadores continuem a revelar nomes e detalhes que completem o quadro do maior desvio enfrentado pelo INSS em sua história recente.