Estudo Revela Confiança Maior da População Negra no Setor Privado

Relatório surpreende ao mostrar descrédito crescente no governo e confiança em empresas

10/11/2025 às 21:35
Por: Redação
Uma pesquisa recente revelou que a população negra no Brasil deposita maior confiança no setor empresarial (85,3%) em comparação ao poder público (68,7%). O estudo, intitulado "O Consumo Invisível da Maioria: Percepções, Gatilhos e Barreiras de Consumo da População Negra no Brasil", foi apresentado no Fórum Brasil Diverso 2025, realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo. O levantamento, conduzido pelos institutos Akatu, DataRaça e Market Analysis, entrevistou mil pessoas negras de diferentes regiões do país. Um dos motivadores do estudo foi o significativo consumo desse grupo, que movimenta anualmente 1,9 trilhões de reais. Os dados se baseiam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE no segundo semestre deste ano. **Visão dos pesquisadores** Maurício Pestana, presidente do DataRaça, associa a confiança nas empresas à polarização política do Brasil, destacando as regras claras sobre discriminação presentes nas corporações, em contraste com a variabilidade das leis governamentais. Tal descoberta surpreendeu a equipe de pesquisa, que esperava resultados diferentes. >"Talvez o Estado devesse simplesmente seguir mais as regras para mudar essa percepção", refletiu Pestana, também fundador do Fórum Brasil Diverso. O estudo também revelou que ONG's (31%) e instituições religiosas (30,7%) são amplamente confiáveis, enquanto grandes corporações nacionais (17,1%) e multinacionais no Brasil (16,1%) apresentam índices menores de confiança por parte da população negra. **Desafios enfrentados** Dentre os grandes problemas identificados pela população negra estão a violência e criminalidade (88,3%), corrupção (84,6%) e violência policial (72,9%). Na esfera pessoal, as preocupações se refletem com intensidade similar, afetando aspectos de segurança e estabilidade financeira. >Os dados apontam que os negros enfrentam discriminação em vários pontos, como no comércio e na contratação de serviços. No que diz respeito ao consumo, setores como higiene e beleza, vestuário e e-commerce destacam-se por suas políticas de inclusão, enquanto o comércio de alimentos e a indústria farmacêutica têm espaço para melhorias. Entre os entrevistados, 34,8% relataram ter sofrido discriminação ao consumir produtos ou serviços, muitas vezes por meio de atitudes sutis e diferenciadas que não ocorrem com outros clientes. **Cenário de discriminação** Os lugares mais propensos a esse tipo de discriminação são lojas de roupas e acessórios (24,5%), shoppings (17%) e supermercados (16,8%). Isso ressalta a necessidade de políticas que combatam o racismo e promovam a igualdade no tratamento de clientes. A pesquisa descreve um panorama em que estratégias e ações para lidar com o racismo são urgentes tanto no setor privado quanto no público, a fim de garantir um ambiente mais justo e igualitário para todos.

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