Após ser citado em uma operação da Polícia Federal, o ex-prefeito de Lajeado, Marcelo Caumo, decidiu se afastar do cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano. A ação foi uma resposta a investigações sobre irregularidades na sua gestão envolvendo verbas postas à disposição após as enchentes de maio de 2024. A operação, chamada Lamaçal, investigou desvios de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social, transferidos para o município de Lajeado durante o estado de calamidade. Caumo, que tomou posse como secretário em abril, usou as redes sociais para justificar seu afastamento enquanto lida com as acusações. ## Irregularidades na contratação de serviços De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam irregularidades em um processo licitatório que envolveu a contratação de serviços terceirizados, como psicólogos e assistentes sociais. O município declarou estado de calamidade para justificar a dispensa de licitação. O valor total do contrato é estimado em 120 milhões de reais, levantando suspeitas de superfaturamento. > "Mesmo sem ter ciência ainda dos dados do processo, a gente vai fazer as defesas, mas fica com aquele sentimento de injustiça muito latente no coração", expressou Caumo. A investigação revelou que a contratação direta não seguiu os procedimentos para garantir a proposta mais vantajosa para o município. Foi dito que os valores acordados superaram os preços de mercado, agravando as preocupações em torno dos contratos. ## Reações e desdobramentos O governo do Rio Grande do Sul emitiu um comunicado esclarecendo que as investigações não têm ligação direta com o período de Caumo na secretaria estadual. Lajeado, que foi duramente afetada pelas enchentes, está no centro dessa investigação devido aos danos significativos e a subsequente aplicação de recursos estatais. > A administração estadual reiterou que a investigação sobre Marcelo Caumo não envolve suas decisões enquanto à frente da secretaria, buscando separar sua atuação prévia como prefeito das atuais funções administrativas. Este caso tem gerado um intenso debate no estado, com repercussões na administração pública e no uso de recursos emergenciais. A operação em Lajeado é parte de uma investigação mais ampla que abrange outras cidades da região, buscando garantir transparência na aplicação de recursos em situações de emergência.