Exposição em SP revela Amazônia Queer

Mostra no Museu da Diversidade Sexual aborda identidade e natureza

15/11/2025 às 00:03
Por: Redação
O Museu da Diversidade Sexual, localizado em São Paulo, inaugurou na sexta-feira (14) uma exposição que incentiva uma reflexão sobre gênero, sexualidade e o vínculo com a natureza. Intitulada "Tybyras: Caminhos de uma Amazônia Queer", a mostra do artista visual Henrique Montagne traz desenhos e fotografias representando a identidade queer entre o povo Tupinambá na região amazônica do Pará. Henrique Montagne destaca a escassez de documentação sobre as relações de gênero e sexualidade dos povos nativos, o que leva a um apagamento histórico. A exposição procura reconstruir um passado silenciado pela colonização, utilizando a imaginação nos desenhos e contando histórias de indígenas reais através das fotografias. ## Diálogos entre natureza e identidade A exposição visa demonstrar o entrelaçamento da natureza com corpo e identidade, desafiando a separação imposta pelo colonialismo. Montagne observa que essa divisão histórica permitiu a exploração desenfreada do meio ambiente. > “O colonialismo colocou a gente, como humano, num lugar e a natureza em outro. Se a natureza está distante de mim, eu posso explorar ela... na verdade, nós somos uma coisa só. Se eu estou explorando ela, estou me explorando,” diz Montagne. O relato de Tibira do Maranhão, o primeiro indígena Tupinambá executado por sua identidade de gênero não normativa, impulsionou a concepção da exposição. Ainda que seu verdadeiro nome permaneça desconhecido, seu legado sobrevive como símbolo de resistência queer. ## Recriação e representatividade Sem documentação suficiente sobre Tibira, Montagne usa o termo "queer" para abarcar todas as sexualidades em sua narrativa artística. Através das imagens, buscou evidenciar a vida de indígenas Tupinambá queer, criando uma conexão genuína antes de capturá-los em fotos. > “Para esse trabalho, eu não tinha outra forma a não ser virar amigo dessas pessoas, porque você precisa ter cuidado. Por muito tempo a arte foi usada para demonstrar pessoas minorizadas como exóticas,” relata Montagne. A representação de corpos LGBTQ+ em posições de orgulho e felicidade é um destaque da exposição, desafiando estigmas culturais e midiáticos que muitas vezes retratam essas identidades sob uma ótica de sofrimento. A mostra está aberta na Estação República do Metrô de São Paulo, com entrada gratuita mediante retirada de ingressos na plataforma Sympla ou na bilheteria.

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