
O Museu Histórico Nacional reabre parcialmente na próxima quinta-feira (13) com a exposição Para além da escravidão: construindo a liberdade negra no mundo. A mostra, fruto de uma curadoria global, envolve museus dos EUA, África do Sul, Senegal, Inglaterra e Bélgica, abordando a escravidão atlântica e suas repercussões atuais.
Segundo a historiadora e curadora brasileira Keila Grinberg, todos os países participantes contribuíram para a concepção da exposição. A mostra não se limita a abordar o passado, mas destaca a persistência das consequências da escravidão no presente, incluindo peças que simbolizam resistência cultural, como um atabaque do Haiti.
A exposição também enfatiza temas atuais, como reparação e justiça ambiental, bem como os desafios do racismo e a violência policial. A curadoria visa inspirar reflexão sobre a história e suas repercussões, estimulando uma visão crítica e empoderada do público.
“A exposição, embora trate de temas duros, busca empoderar o visitante com as possibilidades de luta contra o racismo”, afirma Keila.
Inaugurada originalmente em Washington, a mostra reúne aproximadamente 100 objetos, 250 imagens e dez filmes, divididos em seis seções temáticas. Após a passagem pelo Rio, seguirá para cidades como Cidade do Cabo, Dakar e Liverpool, estendendo o diálogo sobre legado e resistência.
Nos dias 13 e 14, o Arquivo Nacional realizará o seminário Para além da escravidão: memória, justiça e reparação, com debates sobre as práticas de resistência ao colonialismo. Paralelamente, a exposição Senhora Liberdade lançará luz sobre mulheres escravizadas que buscaram a liberdade judicialmente.
“Essas histórias são essenciais para compreender a coragem e a resistência das mulheres naquele período”, comenta a curadora.
A exposição será visitável até 30 de abril, com entrada gratuita. No Instituto Pretos Novos, a pesquisa associada à exposição será debatida através do projeto Conversas inacabadas, propondo reflexões sobre a percepção atual do racismo.
O Brasil, que recebeu 45% dos africanos escravizados, é um espaço simbólico para a divulgação da mostra, reforçando sua centralidade histórica nesse tema. Essa dimensão é fundamental para compreender o impacto histórico e persistente da escravidão no país.
“Entender a escravidão é crucial para compreender a história do Brasil e suas condições sociais atuais”, conclui Keila.
A exposição busca iluminar não apenas as condições históricas, mas também lançar um olhar crítico sobre como essas condições reverberam até hoje. Assim, a narrativa construída visa não só lembrar o passado, mas oferecer uma base sólida para a continuidade da luta contra o racismo.