Facções criminosas ampliam presença na Amazônia em 32% em um ano

Aumento significativo das organizações em 2025 destaca desafios de segurança na região

19/11/2025 às 20:41
Por: Redação

Um levantamento recente divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que a presença de facções criminosas na região da Amazônia aumentou 32% em apenas um ano. O estudo, lançado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), revela que essas organizações já operam em 45% dos municípios da Amazônia Legal, sendo 344 das 772 cidades.

 

As facções, inúmeras e amplamente ligadas ao narcotráfico, enxergam na floresta amazônica um terreno fértil para novas atividades ilícitas, como o garimpo ilegal e a lavagem de dinheiro. Este crescimento é particularmente notável em municípios como Alta Floresta, onde o Comando Vermelho impôs um sistema de cadastro e cobrança de mensalidades para trabalhadores do garimpo, intimidando aqueles que descumprirem as regras com ameaças de violência.

 

Expansão do crime organizado

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou um aumento significativo na presença desses grupos em relação a 2024, quando eles estavam ativos em 260 municípios. A Amazônia Legal, composta por Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, enfrenta grandes desafios para combater essa onda de criminalidade, que é intensificada pela falta de recursos e infraestrutura adequada.


“Essas facções veem na Amazônia novas formas de ganhar dinheiro por meio do crime ambiental”, afirma Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum.


Além do tráfico, essas organizações disputam territórios para o comércio de drogas e têm influência direta no controle de rotas de tráfico por rios e estradas, impactando a segurança regional de forma significativa.

 

Facções ativas e influência regional

Atualmente, 17 facções criminosas estão em operação na Amazônia. Destaques regionais incluem o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, além de grupos locais como Amigos do Estado e Bonde dos 40. O Comando Vermelho domina 286 cidades, mantendo controle das importantes rotas fluviais ligadas à produção de drogas na região andina.


“A lógica de controle armado que presenciamos no Rio de Janeiro está migrando para a Amazônia”, explica Samira Bueno.


A atuação dessas facções não se restringe ao Brasil; há conexões internacionais claras, especialmente em rotas para mercados estrangeiros, utilizando diversos meios de transporte para a exportação de cocaína.

 

Impacto da violência e medidas necessárias

Os índices de violência também apresentam números alarmantes. Em 2024, foram registradas 8.047 mortes violentas nos 772 municípios da Amazônia Legal. O estado do Amapá lidera as estatísticas nacionais, com uma taxa de 45,1 mortes intencionais por 100 mil habitantes. A localidade do Maranhão também viu um aumento nas taxas de homicídios, impulsionado por conflitos entre diferentes facções.


Samira Bueno enfatiza a necessidade de políticas eficientes que considerem as particularidades da região nas ações de combate ao crime.


Para lidar com a complexidade e ingerência do narcotráfico e da violência, especialistas destacam a necessidade de intervenção coordenada que inclua melhorias nas políticas públicas, visando proteção e garantia de direitos aos cidadãos mais vulneráveis da região.

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