Festa Literária das Periferias homenageia pensadores negros

Evento no Rio destaca legado cultural do Caribe e da diáspora africana

19/11/2025 às 15:55
Por: Redação

Inicia-se nesta quarta-feira, 19 de novembro, a 15ª edição da Festa Literária das Periferias (Flup) no Rio de Janeiro, celebrando o tema ‘Ideias para Reencantar o Mundo: Escrevivências, Sonhos e Batidões’. O evento destaca o legado cultural e político do Caribe e sua influência na diáspora africana, especialmente no Brasil. A programação ocorre até 30 de novembro, no Viaduto de Madureira, zona norte da cidade, promovendo a interação entre a literatura e a sociedade das áreas periféricas.

 

A Flup funciona em dois períodos: de 19 a 23 e de 27 a 30 de novembro, objetivando a inclusão social através de encontros literários. A edição deste ano homenageia Conceição Evaristo, primeira personalidade a receber tal distinção em vida. Conceição é uma das idealizadoras do conceito de ‘Escrevivência’, que transforma experiências individuais em narrativas coletivas afro-brasileiras.

 

Exposição e debates sobre Frantz Fanon

Além das homenagens, a Flup sedia uma exposição sobre Frantz Fanon, filósofo e psiquiatra afro-caribenho que criticou a colonização e o racismo. Debates como ‘O Sonho de Nossos Heróis, que Precisamos Manter Vivo’, com Conceição Evaristo e Mireille Fanon, filha do filósofo, abordam lutas sociais no Brasil e Caribe.


“O pensamento de Fanon está tão atualizado e urgente, inclusive para fazer uma discussão sobre tecnologia", comenta Silvana Bahia, curadora da intervenção ‘Códigos Negros’.


A intervenção ‘Códigos Negros’ cria obras digitais inspiradas em ‘Os Condenados da Terra’, de Fanon, utilizando inteligência artificial e exibindo em telões de LED. Artistas como Guilherme Bretas e Ilka Cyana participam da iniciativa, promovida pela Olabi, explorando as ideias anticoloniais de Fanon através da tecnologia.

 

Importância cultural e prêmios

Com 12 anos de história, a Flup já esteve em diversos locais icônicos do Rio, promovendo culturalmente regiões como Mangueira e Cidade de Deus. A festa recebeu prêmios como o Jabuti e foi declarada patrimônio imaterial pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em 2023, consolidando seu impacto cultural e social na cidade.


O reconhecimento da Flup reflete seu papel essencial na valorização da literatura e das comunidades periféricas, ressaltando seu caráter formativo e inclusivo.


A Flup também investe em formas formativas para escritores, lançando mais de 30 livros no mercado. O evento permanece um pilar de integração social e cultural no Rio de Janeiro, contribuindo para o avanço do cenário literário nacional.

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