Fiéis na Penha clamam por paz após semana de violência no Rio

Comunidade busca alento na igreja após operação policial deixar 121 mortos.

02/11/2025 às 18:58
Por: Redação
Na zona norte do Rio de Janeiro, moradores do bairro da Penha encheram a Paróquia Bom Jesus da Penha durante o Dia de Finados, buscando conforto para si e para as famílias dos 121 mortos na recente Operação Contenção. A ação policial, realizada nas favelas vizinhas na última terça-feira, levou pânico à região e foi considerada a mais letal da história do estado carioca. O padre Marcos Vinícius Aleixo, ao celebrar uma missa especial, expressou sua solidariedade: "Temos acolhido e intercedido por todos que chegam, mães, familiares e amigos, em meio a essa dor". Apesar disso, ele ressaltou que o medo tem afastado muitos fiéis das atividades religiosas, pois a insegurança é crescente. "As pessoas estão receosas até para virem à missa", pontuou, destacando o trauma causado pelo som constante de tiros. Na paróquia, situada a apenas um quilômetro de distância da praça onde corpos foram encontrados após a operação, a sensação de impotência é palpável. A Secretaria de Segurança Pública informou que a ofensiva policial tinha como alvo a facção Comando Vermelho e resultou no cumprimento de 20 mandados de prisão, com 93 pessoas presas em flagrante. Entre os frequentes confrontos e intervenções policiais, moradores se veem cercados. Uma residente, preferindo o anonimato, desabafou sobre a dificuldade de movimentação devido ao domínio do crime organizado: "Cobram até pedágio para passar pelas ruas. É absurda essa falta de tranquilidade." A operação chamou atenção de organismos internacionais, como a ONU, que exige uma investigação independente devido a suspeitas de abusos. Famílias alegam ter encontrado sinais de tortura nos corpos dos mortos, enquanto o governo estadual afirma que aqueles que se renderam foram realmente presos, e que outras mortes ocorreram em confronto direto. Moradores relatam que, apesar do horror do dia da operação, não houve mudanças reais. "Foi terrível para nós, especialmente para quem tenta viver pacificamente", disse uma mulher que vivenciou os conflitos. Entretanto, a sensação de abandono prevalece, já que muitos acreditam que ações como essas pouco interferem na segurança local.

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