Filha de Chico Mendes ressalta papel dos povos da floresta na COP30

Ângela Mendes defende protagonismo dos povos amazônicos e critica exploração de petróleo

20/11/2025 às 13:23
Por: Redação

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) realizada em Belém, Ângela Maria Feitosa Mendes destacou a importância do protagonismo dos povos da floresta. A ativista, filha do icônico defensor da Amazônia, Chico Mendes, apontou a relevância de abordar questões ambientais com inclusão dos povos tradicionais, criticando, em paralelo, a exploração de petróleo na região da Foz da Amazônia.

 

Ângela Mendes, que atualmente lidera o Comitê Chico Mendes, rememorou a trajetória do pai e frisou a continuidade de sua luta pela justiça socioambiental. O comitê nasceu logo após o assassinato do seringueiro em 1988, como uma resposta ao sentimento de impunidade. A condenação dos responsáveis pelo crime, dois anos depois, foi um marco nos esforços pela defesa dos direitos das populações da floresta.

 

Iniciativas em favor da juventude

O Comitê Chico Mendes tem concentrado esforços na formação de jovens e mulheres na Reserva Extrativista Chico Mendes, localizado no Acre. A inspiração vem de uma carta escrita por Chico Mendes, na qual ele sonha com um futuro sem exploração e sofrimento. Em 2016, o comitê instituiu o programa Jovens Protagonistas, que promove atividades educativas e o empoderamento da juventude local.


“Desculpem. Eu estava sonhando quando escrevi estes acontecimentos que eu mesmo não verei. Mas tenho o prazer de ter sonhado”, dizia a carta de Chico Mendes.


A fértil interação com jovens do mundo inteiro veio com o Festival Jovens do Futuro, lançado em 2020, mesmo em meio à pandemia, demonstrando a mobilização global em prol de mudanças ambientais.

 

Diálogos na COP30

No evento internacional, Mendes observou que, apesar dos esforços, as vozes dos povos da floresta ainda enfrentam dificuldades em serem plenamente ouvidas. Ela reconheceu os avanços proporcionados por iniciativas do governo, mas alertou para o desafio permanente de combater o lobby das indústrias de combustíveis fósseis e assegurar um espaço de diálogo justo.


Mendes destaca a importância de alianças diversas para o avanço de políticas públicas que favoreçam territorialmente os povos da Amazônia.


Ela também alertou para a necessidade de incentivos a pequenos empreendedores e destacou a responsabilidade das indústrias em contribuir positivamente com os territórios, evitando apenas a exploração dos recursos naturais.

 

Futuro das reservas extrativistas

As reservas extrativistas, segundo Mendes, são fundamentais para a preservação da floresta e dos modos de vida tradicionais. Sem ter presenciado a criação das mesmas em vida, Chico Mendes deixou um legado de proteção de mais de 60 milhões de hectares de biomas, ressaltando a importância estratégica desses territórios.


Mendes acredita que a luta de seu pai e sua morte não foram em vão, e que muito mais poderia ter sido alcançado se ele estivesse vivo.


No contexto atual, não deixa de expressar um otimismo cauteloso quanto aos resultados da COP30, vendo-a como uma oportunidade de aumentar a conscientização e fortalecer o engajamento em prol da floresta Amazônica e seus povos.

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