G20 avança em declaração sobre minerais críticos prioritários

Documento ressalta beneficiamento local, com foco em países em desenvolvimento

19/11/2025 às 19:01
Por: Redação

O grupo das maiores economias mundiais, o G20, anuncia que planeja adotar um texto significativo sobre minerais críticos, ressaltando a importância de processar esses recursos em seus países de origem. Esta decisão é considerada um avanço importante por nações em desenvolvimento, conforme destacou o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Philip Fox-Drummond Gough.

 

Durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (19), em Brasília, o Ministério das Relações Exteriores discutiu a Cúpula de Líderes do G20, programada para os dias 22 e 23 de novembro, em Joanesburgo, África do Sul. O evento contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto a presidência do bloco está atualmente com o governo sul-africano.

 

Foco no beneficiamento local

O embaixador Gough, já em Joanesburgo para as negociações preliminares, destacou que a questão dos minerais críticos é uma prioridade sob a presidência da África do Sul. Ele explicou que o documento, que pela primeira vez aborda esta pauta, estabelece diretrizes para a extração e o beneficiamento desses minerais, enfatizando a importância do beneficiamento local, priorizando os países produtores.


“É a primeira vez que se consegue um texto sobre isso”, afirmou, referindo-se à importância do documento em negociação.


Os minerais críticos, essenciais para setores como tecnologia e defesa, enfrentam riscos devido à oferta restrita e à dependência de poucos fornecedores. Entre os elementos listados estão lítio, cobalto, níquel e terras raras. O Brasil possui cerca de 10% das reservas globais, segundo o Instituto Brasileiro da Mineração.

 

Debates econômicos intensificados

A cúpula do G20, que começou como um fórum de ministros de finanças em 1999, evoluiu para encontros de chefes de Estado. Nesta edição, a declaração de líderes será o documento principal, embora haja resistência devido à ausência dos Estados Unidos. A presidência sul-africana, apoiada pelo Brasil, insiste em manter uma declaração oficial, como em edições anteriores.


O embaixador Gough reforçou que “houve declaração em todas as outras cúpulas”.


Um dos tópicos em debate é a taxação dos super-ricos, incluindo desigualdades, um tema promovido pela presidência brasileira na cúpula do ano passado. Apesar das questões políticas internacionais, a intenção é simplificar as abordagens para não comprometer os debates econômicos.

 

Agenda estratégica em Moçambique

O presidente Lula estará em Joanesburgo para encontros bilaterais e participará das sessões do G20. Em paralelo, ocorrerá uma reunião do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). A visita a Moçambique faz parte das comemorações dos 50 anos de relações diplomáticas com o Brasil.


A parceria entre os países é destacada pela cooperação em diversas áreas, refletida nos numerosos projetos da Agência Brasileira de Cooperação nas áreas de saúde, agricultura e educação.


Comércio e investimento são outros focos, com um fórum empresarial previsto para reunir entre 150 a 200 empresários dos dois países. Em 2024, o intercâmbio comercial entre Brasil e Moçambique atingiu 40,5 milhões de dólares, com exportações brasileiras concentradas em carnes de aves e produtos de perfumaria.

Reuniões com o presidente moçambicano Daniel Chapo e a assinatura de acordos de cooperação técnica estão entre os compromissos. Lula também será homenageado com o título de doutor honoris causa pela Universidade Pedagógica de Maputo.

 

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