
O Ministério da Justiça e Segurança Pública manifestou críticas ao terceiro relatório do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) sobre o Projeto de Lei Antifacção. O documento foi apresentado na Câmara dos Deputados e, segundo o governo, possui potencial para criar um "caos jurídico" devido a mudanças assistemáticas em institutos legais tradicionais.
De acordo com a nota divulgada na noite de quarta-feira (12), o "tumulto normativo" resultante poderia beneficiar criminosos já investigados. O relato se destacou como mais um ponto de divergência entre os órgãos governamentais e a Câmara, ampliando a controvérsia em torno do projeto legislativo.
O governo ressaltou que o relatório representa "retrocessos jurídicos e institucionais inaceitáveis" com a proposta de desviar recursos das forças de segurança federais para fundos estaduais, prejudicando a Polícia Federal. Originalmente, o projeto buscava descapitalizar o crime organizado, mas as alterações propostas ameaçam enfraquecer essa abordagem.
“Estes pontos apresentam retrocessos jurídicos e institucionais inaceitáveis”, destaca o governo.
Autoridades enfatizam a necessidade de preservar a autonomia e sustentabilidade financeira das forças de segurança, enquanto garantem aos cidadãos uma legislação moderna capaz de enfrentar as facções criminosas de forma eficaz.
Antes da divulgação do relatório, governadores de diversos estados, incluindo o Rio de Janeiro e Santa Catarina, solicitaram ao presidente da Câmara um adiamento das discussões. Este pedido visa permitir um debate mais abrangente, respondendo às preocupações de que as propostas podem enfraquecer a capacidade do estado de combater organizações criminosas.
A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que certos aspectos do projeto, como a tipificação penal, são "inegociáveis".
Enquanto o debate continua, a posição do governo é clara em manter-se firme em pontos considerados essenciais para o combate às facções. A proposta do deputado Derrite, que explora maneiras de conduzir audiências de custódia, também tem gerado discussões significativas.
Em poucos dias, três versões alternativas do projeto foram apresentadas por Derrite, buscando modificar o "marco legal do combate ao crime organizado" proposto pelo governo. Tais revisões mantiveram a autonomia da Polícia Federal, mas não equiparam facções como o PCC e o Comando Vermelho a grupos terroristas. A expectativa é que novas discussões sejam conduzidas para encontrar um equilíbrio nas medidas propostas.
"Necessário garantir um enfrentamento robusto ao crime organizado sem fragilidades", conclui o Ministério da Justiça.
Essas medidas têm gerado preocupação quanto ao futuro da legislação penal no Brasil, refletindo um debate intricado sobre segurança pública e políticas penais. Com a evolução das negociações, espera-se que ajustes mais ponderados possam ser alcançados sem comprometer a estrutura jurídica existente.