O parecer do deputado Guilherme Derrite sobre o PL Antifacção levanta preocupações significativas quanto ao progresso das investigações sobre o crime organizado no setor de combustíveis. Nesta terça-feira, 11 de novembro, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, expressou o risco que o texto representa para operações da Receita Federal e da Polícia Federal. Haddad destacou que o projeto enfraquece a possibilidade de ação das autoridades contra organizações criminosas, colocando em xeque investigações em andamento, como a Operação Carbono Oculto no Rio de Janeiro. Segundo ele, a exigência de julgamento final para procedimentos fiscais rotineiros inviabiliza a efetividade dos trabalhos. ### Críticas contundentes Haddad criticou a proposta, afirmando que ela facilita a consolidação do crime organizado. Afirmou ser contraditório criar uma legislação que proteja altos escalões do crime logo após iniciar ações contra eles. Tal reação destaca o desconforto do governo com o parecer de Derrite, que não foi previamente discutido com o Executivo. “Recebi a informação de que toda a operação contra a máfia dos combustíveis no Rio de Janeiro ficaria comprometida”, afirmou Haddad. Além de Haddad, outros membros do governo, incluindo Ricardo Lewandowski e Gleisi Hoffmann, articulam-se contra o texto. Lewandowski já classificava trechos do relatório como inconstitucionais, e o governo pode recorrer ao STF se o projeto avançar. ### Negociações em andamento No cenário legislativo, o presidente da Câmara, Hugo Motta, adiou a votação do projeto, ressaltando a falta de consenso. Está em curso uma negociação para refinar o texto, com o líder do governo, José Guimarães, buscando entendimento com o relator Derrite. Motta destacou que o texto precisa passar por ajustes e que espera uma versão melhorada ao final do dia. Nesse contexto, Guimarães busca consenso, afirmando que negociações devem prosseguir, se necessário, até tarde da noite. A ministra Gleisi Hoffmann criticou a relatoria de Derrite, vista como um descuido, embora o líder do PP, Doutor Luizinho, tenha defendido a escolha partidária. ### Desafios e busca por consenso A crítica do governo foca em trechos do relatório que alteram a Lei Antiterrorismo e reduzem a abrangência de medidas de confisco de bens. Também advertem sobre limitações à Polícia Federal em casos de facções criminosas e possíveis brechas para criminalização de movimentos sociais. Mudanças propostas por Derrite não satisfizeram a Polícia Federal nem representantes do governo, que as consideram insuficientes. José Guimarães expressa otimismo em alcançar um acordo, comparando ao consenso obtido na votação do projeto do Imposto de Renda, e espera construir uma solução que beneficie toda a sociedade brasileira.