História da Marcha das Mulheres Negras contada por ativistas paraenses

Evento em Belém celebra legado de luta das mulheres negras em paralelo à COP30

21/11/2025 às 12:07
Por: Redação

Em Belém, na Praça da República, mulheres negras de diversos lugares se reúnem na Black Zone, um espaço dedicado a encontros e debates, que ocorre junto à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). O local também serve como plataforma para a preparação da Marcha das Mulheres Negras.

 

Com o intuito de amplificar vozes que não encontram espaço nas negociações oficiais sobre o clima, a iniciativa também presta homenagem a Raimunda Nilma Bentes, a Dona Nilma, artista e ativista que idealizou a primeira marcha em 2015. Naquele ano, 70 mil mulheres se reuniram em Brasília para protestar contra o racismo e a violência.

 

Dez anos após a primeira marcha

Uma década depois, no próximo dia 25 de novembro, outra marcha será realizada em Brasília. As participantes reivindicam reparação e um modelo de bem viver. Segundo Maria Malcher, coordenadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, a reparação abrange a luta contra a violência e o racismo, além de tratar da herança da escravidão.


“É preciso aprofundar as pautas do movimento de mulheres negras, destacando a reparação histórica”, explica Malcher.


O conceito de bem viver é abordado sob duas perspectivas: uma macro, ligada a projetos políticos, e outra relacionada às lutas locais. Dona Nilma destaca a importância de um projeto político que promova justiça social e ambiental, além de valorizar a cooperação.

 

Novo comitê em prol da justiça climática

Para fortalecer sua representação nas discussões climáticas, um Comitê Nacional das Mulheres Negras por Justiça Climática foi criado em Belém, no último dia 10 de novembro. O grupo, formado por 36 organizações, busca maior influência na COP30 e prepara um manifesto para os Três Poderes.


Maria Malcher ressalta que o comitê tem o apoio de organizações do Sudeste, enquanto a Amazônia ainda carece de credenciais para participação.


Nessa marcha, além das reivindicações tradicionais, haverá a entrega de vários manifestos, incluindo um relacionado à educação e outro de caráter econômico. Atividades paralelas também incluem diálogos e assembleias com mulheres de diversas partes do mundo.

 

Lançamento de cartilha orientadora

Uma cartilha organizada por Flávia Ribeiro será disponibilizada, oferecendo um guia para formação e mobilização. Ela aborda a história e as aspirações da marcha, especialmente destacando a atuação de Belém e do Pará no movimento.

Utilizando uma linguagem acessível, o documento visa envolver mais participantes no movimento e fortalecer as propostas de reparação. A publicação será uma ferramenta essencial para quem deseja se unir à causa.

 

O evento em Belém e a próxima marcha em Brasília refletem o contínuo empenho das mulheres negras em buscar justiça e equidade socioeconômica, enfrentando desafios históricos e contemporâneos com resiliência e organização.

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