
A Marcha Global dos Povos Indígenas reuniu manifestantes em Belém na última segunda-feira, clamando por justiça devido ao assassinato de Vicente Fernandes Vilhalva Kaiowá, de 36 anos. O indígena foi fatalmente atingido por um tiro durante um ataque à retomada Pyelito Kue, localizada em Iguatemi, Mato Grosso do Sul, no domingo.
Além de Vicente, outras quatro pessoas, incluindo adolescentes e uma mulher, ficaram feridas por disparos de armas de fogo e balas de borracha. A comunidade relatou que pistoleiros tentaram levar o corpo, mas os indígenas impediram.
Vilma Vera Caletana Rios, pertencente ao povo Avá Guarani da aldeia Guasu Gauavira, no Paraná, expressou revolta com o assassinato e exigiu que os responsáveis sejam punidos.
“Mais um indígena, mais uma liderança, mais um homem assassinado no seu território. Quando a gente fala de justiça climática, não podemos esquecer de fazer justiça pelas pessoas que já foram assassinadas nos seus territórios”, afirmou Vilma.
Paulo Macuxi, coordenador do Conselho Indígena de Roraima, apoiou a indignação de Vilma, criticando a inação das autoridades judiciais e a frequência dos assassinatos de indígenas.
Nadia Tupinambá, do território indígena de Olivença, no sul da Bahia, cobrou mais respeito das autoridades diante do "sangue derramado".
“Estamos aqui para dizer: ‘parem de nos matar’. Parem de matar nossas florestas. Parem de vender nossos rios. Enfrentamos muitas lutas, mas não vamos desistir”, declarou Nádia.
Diante da realização da COP30, Nádia ressaltou que, embora o tema climático seja central, a demarcação de territórios, onde muitos indígenas são atacados, ainda é negligenciada. “Estamos perdendo vidas sem ordem judicial, mas não vamos desistir. Somos todos Guarani Kaiowá”, concluiu.