Indígenas na COP30

Lideranças de nove países da Bacia Amazônica impulsionam reconhecimento de seus territórios como política climática.

10/11/2025 às 15:45
Por: Redação
Com uma delegação de cerca de 1,6 mil líderes indígenas, nove países da Bacia Amazônica marcam presença em Belém na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP30). As lideranças indígenas demandam o reconhecimento de seus territórios como uma política climática fundamental, além de pleitearem participação efetiva em decisões cruciais, financiar as comunidades que preservam suas florestas e proteger seus defensores. Os territórios indígenas, reconhecidos como as áreas mais preservadas da Amazônia, são essenciais na atuação como sumidouros de carbono. No entanto, enfrentam pressões constantes, como da mineração e da agropecuária. Adicionalmente, os indígenas destacam que sentem os primeiros impactos da crise climática, enfrentando secas prolongadas e enchentes frequentes. Demandas e propostas indígenas A participação indígena na COP30 inclui contribuições significativas por meio das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Estas metas, elaboradas por 28 organizações indígenas dos nove países da Amazônia, clamam por reconhecimento prioritário de territórios, inclusive os de povos isolados, acesso direto a financiamentos, autonomia econômica, proteção de seus defensores, valorização dos conhecimentos tradicionais e criação de zonas livres de exploração. "Sem território, não há vida, clima e nem futuro. Os direitos territoriais indígenas devem ser reconhecidos como política climática", ressaltou Toya Manchineri, coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). Com a COP30 vendo-se como um campo para compromissos sérios e robustos relativos à redução de gases de efeito estufa e estratégias concretas de mitigação climática, os indígenas enfatizam a importância de sua presença contínua além das conferências, em espaços de decisão global. Tal envolvimento deve sempre priorizar a escuta ativa das vozes indígenas. Programação do evento A programação promovida pela Coiab na conferência inclui eventos nas Zonas Azul e Verde, participação na Cúpula dos Povos na Aldeia COP, e outros movimentos durante o encontro. Uma das principais atividades previstas é a Marcha dos Povos Indígenas, agendada para o dia 17, que partirá da Avenida Perimetral em Belém. Detalhes completos da programação estão disponíveis no site coiab.org.br. Toya reiterou que a incidência indígena transcende a COP30, defendendo um processo contínuo de participação nos fóruns globais, enfatizando a importância da voz dos povos indígenas. O movimento dos povos indígenas na COP30 sinaliza um passo significativo na agenda ambiental global, promovendo um comprometimento internacional renovado e ampliado em proteção ambiental e direitos indígenas.

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