Indígenas Sul-Americanos Unem Forças em Belém por Territórios e Direitos

Mobilização durante a Marcha Mundial pelo Clima na COP30 reforça demandas por demarcação de terras e respeito à autodeterminação.

16/11/2025 às 16:10
Por: Redação

Povos indígenas de toda a América do Sul se uniram em Belém, no sábado, 15 de novembro de 2025, para participar da Marcha Mundial pelo Clima, evento que reuniu cerca de 70 mil pessoas nas ruas da capital paraense durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). A manifestação teve como objetivo central exigir o respeito aos seus direitos e a imediata demarcação de seus territórios tradicionais, unindo vozes apesar das diversas particularidades e desafios regionais que enfrentam.

A expressiva mobilização de comunidades originárias e da sociedade civil organizada nas ruas da cidade paraense reforçou a urgência de suas demandas em um contexto global focado nas discussões sobre o clima. Líderes indígenas destacaram a importância vital da participação ativa da base em contraposição à natureza, muitas vezes restritiva, das negociações oficiais da COP, que tendem a concentrar-se em delegados governamentais.

A Voz dos Povos Originários na Cúpula

Cristian Flores, da Bolívia, membro da Plataforma Boliviana Frente à Mudança Climática e participante ativo da Cúpula dos Povos, enfatizou a imprescindível presença da sociedade civil para assegurar que as reivindicações dos povos originários sejam devidamente ouvidas nas arenas de decisão. Ele criticou o ambiente elitista das COPs, onde as decisões mais impactantes são tomadas por delegados dos países membros da ONU sem uma escuta efetiva da sociedade civil, que frequentemente enfrenta obstáculos para integrar as discussões.


"As COPs acabam sendo espaços muito elitistas, unicamente para os delegados dos países membros da ONU, que, no final de tudo, tomam decisões importantes sem escutar devidamente a sociedade civil", declarou o ativista indígena.


Flores, que veio da capital boliviana, La Paz, está no Brasil desde 4 de novembro, acompanhando os fóruns de discussão indígenas, e tem previsão de permanecer no país até o dia 21. Ele expressou satisfação com o acolhimento caloroso do povo brasileiro, apesar do intenso calor em Belém, e considerou a Cúpula dos Povos um espaço fundamental, embora ressalte a necessidade de maior empenho para converter as propostas indígenas de meras demandas em ações concretas que garantam seus direitos.

União Contra Extrativismo e Pela Amazônia

Cahuo Boya, liderança do povo Wairani, do Equador, viajou a Belém acompanhada de um grupo de indígenas para reforçar a voz da Amazônia, representando mulheres, homens e anciãos. Ela explicou que as comunidades enviam energia e força para que seus representantes possam se manifestar em nome de seus territórios, denunciando a falta de cumprimento, por parte do governo equatoriano, da consulta popular sobre atividades extrativistas em suas terras.


A ativista indígena enfatizou que o Estado equatoriano deveria respeitar as reivindicações de seu povo e que, até o momento, não houve resposta do governo às suas demandas, que visam combater os impactos do petróleo e da mineração.


Boya salientou que os impactos devastadores da exploração de petróleo e mineração afetam territórios indígenas em toda a Amazônia, reiterando a necessidade urgente de se criar uma agenda comum e fortalecida. Ela reforçou a importância da união com os demais povos indígenas da América do Sul e do mundo para ocupar espaços nas ruas e nos centros de decisão, assegurando que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas pelos governos e organismos internacionais.

A mobilização em Belém, portanto, transcende o caráter de um mero protesto, consolidando-se como uma plataforma robusta para a articulação de estratégias conjuntas. O objetivo central é exercer pressão por políticas efetivas que garantam a proteção ambiental e a integridade cultural dos povos que dependem diretamente da floresta, vislumbrando um futuro onde seus direitos sejam plenamente reconhecidos e implementados em todas as instâncias.

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