Inglaterra marca nova etapa de responsabilização no Caso Samarco

Tribunal inglês agenda audiências em dezembro sobre a BHP e desastre em Mariana

14/11/2025 às 20:14
Por: Redação

A Justiça da Inglaterra agendou audiências para os dias 17 e 18 de dezembro que definirão as próximas etapas e prazos no processo contra a mineradora BHP. A empresa é acusada pelo desastre ambiental ocorrido em 5 de novembro de 2015, após o rompimento da barragem de Fundão, operada pela Samarco em Mariana, Minas Gerais.

No dia 14 de novembro, o Tribunal Superior de Justiça de Londres condenou a BHP, em um caso que se desenrola há uma década e envolve a liberação de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro. A BHP é acionista da Samarco, e ambas enfrentam processos judiciais devido às suas operações na Barragem de Fundão.

 

Continuação do julgamento e cálculo de danos

A advogada Caroline Narvaez, do escritório Pogust Goodhead, que representa os afetados, explicou que o processo agora se volta para o cálculo dos danos. "Alguns casos servirão de parâmetro para estimar as indenizações devidas", afirmou, citando o exemplo de um pescador cuja situação ilustrará as perdas de um grupo maior.


"Estamos avançando para a quantificação dos danos, uma vez que tivemos a condenação", disse Narvaez.


Caroline destacou que o julgamento abordará uma variedade de perdas, desde a perda de acesso à água até o deslocamento de comunidades. "Comunidades quilombolas e tradicionais foram severamente impactadas, e esta fase calculará esses danos", completou.

 

Implicações e antecipações futuras

Nos bastidores, cresce a tensão sobre a responsabilidade da decisão de elevar as barragens, já no limite operacional. "A BHP sabia dos riscos, mas prosseguiu visando lucro", citou Caroline, criticando duramente a decisão das mineradoras de continuar expandindo.


Relatos apontam que várias comunidades ainda enfrentam desafios significativos, incluindo perdas de moradias e ecossistemas.


O desastre, um dos mais graves do país, resultou em 19 mortes e a devastação de regiões em Minas Gerais e no Espírito Santo, atingindo até a fauna marinha no Atlântico. A Samarco alega que a vida no Rio Doce e a qualidade da água foram restabelecidas, mas os impactos permanecem vivos na memória coletiva e na justiça brasileira e internacional.

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