Justiça decide manter prisão de Daniel Vorcaro, sócio do Banco Master

Decisão da desembargadora Solange Salgado busca garantir ordem pública e desarticular esquema

20/11/2025 às 15:36
Por: Redação

A Justiça Federal em Brasília confirmou a manutenção da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, sócio do Banco Master, em decisão proferida na noite de quinta-feira (19) pela desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Vorcaro havia sido detido pela Polícia Federal na última segunda-feira (17) enquanto tentava embarcar em seu jatinho particular no Aeroporto de Guarulhos com destino ao exterior.

 

A defesa de Vorcaro havia solicitado um habeas corpus, o qual foi negado pela magistrada. A prisão está relacionada à Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos e outros crimes financeiros cometidos pelo Banco Master. Além disso, o banco estava envolvido em uma tentativa de compra pelo Banco Regional de Brasília (BRB), uma instituição pública do governo do Distrito Federal.

 

Fraudes e impacto econômico

Na decisão, a desembargadora argumentou que a prisão de Vorcaro é vital para manter a ordem pública e desmantelar o grupo criminoso estruturado por seus dirigentes. Segundo ela, o grupo tem uma estrutura notavelmente organizada e poderosa, atuando por anos em práticas reiteradas de delitos financeiros, utilizando métodos sofisticados para burlar o sistema financeiro.


“O contexto retrata um grupo com notável estrutura, estabilidade e poderio econômico, cuja atividade perdurou por anos, voltada à prática reiterada de delitos financeiros”, declarou Solange.


Ainda segundo a magistrada, as investigações revelaram fraudes que podem comprometer a liquidez do BRB e resultar em um prejuízo estimado em 17 bilhões de reais. O esquema envolvia cessão irregular de carteiras de crédito entre o Banco Master e o BRB, com manipulação de ativos e criação de narrativas falsas para reguladores.

 

Reação da defesa

Os advogados de Daniel Vorcaro afirmaram que o banqueiro não tentou fugir do país e alegaram que ele sempre esteve à disposição para colaborar com as investigações. A defesa sustenta que não há motivos para mantê-lo preso.


“A investigação revelou um esquema de cessão irregular de carteiras de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília, envolvendo a quantia vultosa de aproximadamente 17 bilhões de reais”, aponta o documento.


O BRB, por sua vez, anunciou que contratará uma auditoria externa para analisar possíveis falhas de governança e controles internos, buscando esclarecer os fatos e mitigar impactos futuros.

© Copyright 2025 - Três Lagoas News - Todos os direitos reservados