A mineradora BHP foi responsabilizada pelo rompimento da Barragem de Fundão em Mariana, Minas Gerais, por decisão do Tribunal Superior de Justiça de Londres. A empresa, que é acionista da Samarco, a responsável direta pelo desastre, recebeu a condenação nesta sexta-feira, 14 de novembro de 2025. O incidente é considerado um dos maiores desastres ambientais do Brasil. Embora a decisão judicial afirme a responsabilidade da BHP, o valor da indenização que a empresa deverá pagar ainda não foi revelado. O desastre ocorreu há uma década, e desde então, as questões legais seguem sem resolução completa. Os impactos deste acontecimento são amplamente sentidos na região, afetando diversas comunidades e o meio ambiente. Segundo a Justiça inglesa, o colapso da barragem era previsível devido a sinais claros de instabilidade, como rejeitos saturados e infiltrações. A continuidade da elevação da barragem sem uma análise adequada da estabilidade foi considerada imprudente. Documentos apontaram que um teste de estabilidade teria identificado fatores de segurança, que poderiam ter evitado o colapso. "É inconcebível que uma decisão tivesse sido tomada para continuar a elevar a altura da barragem nessas circunstâncias e o colapso pudesse ter sido evitado." A Justiça ainda afirmou que no segundo semestre de 2026, uma nova audiência será realizada para determinar a multa que a BHP deverá pagar, reforçando a importância do monitoramento constante em operações de mineração. No dia 5 de outubro, o rompimento da barragem em Mariana completou dez anos. A tragédia resultou na liberação de milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, contaminando rios e afetando diretamente cidades vizinhas. Além dos danos ambientais permanentes, o desastre acarretou na morte de 19 pessoas e ainda causa sofrimento para muitos moradores da região que buscam justiça e compensação adequada. A situação em Mariana é lembrada como um marco doloroso na história, destacando a necessidade de regulamentações mais rígidas e fiscalização eficiente no setor de mineração. O caso BHP reflete uma longa trajetória de lutas judiciais e reivindicações sociais por medidas de compensação e recuperação ambiental adequadas, indicando que a jornada pela justiça e reparação ainda está longe de ser concluída.