
O programa Eco Invest Brasil, que visa atrair investimento privado para projetos sustentáveis, anunciou seu quarto leilão com foco exclusivo na Amazônia. O evento foi lançado em Belém, durante a COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025. A iniciativa faz parte do esforço para alavancar capital privado de até quatro bilhões de dólares através do financiamento misto.
O leilão, programado para o início de 2026, utilizará o capital catalítico, que recebe recursos do governo e de entidades privadas de forma filantrópica, minimizando os riscos de mercado. Esse sistema leva em consideração o retorno social, além do financeiro, facilitando a captação de investimentos convencionais.
Pela primeira vez, o Eco Invest Brasil canalizará recursos exclusivamente à Amazônia, visando fortalecer cadeias produtivas sustentáveis para combater o desmatamento. Pequenas empresas, cooperativas e produtores locais estão na mira do programa que priorizará a bioeconomia, turismo ecológico e infraestrutura habilitante.
"A floresta em pé gera mais valor e mais oportunidades do que a devastação", afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O programa planeja facilitar o acesso a financiamento para pequenos produtores através de seu modelo inovador, incentivando a economia local, com taxa de juros de um por cento ao ano e exigindo que bancos atraiam cinco vezes mais em capital privado.
O Tesouro Nacional oferecerá um incentivo de 20% sobre o capital captado, que deverá ser utilizado em assistência técnica. Além disso, para mitigar riscos cambiais, o Banco Interamericano de Desenvolvimento disponibilizará três bilhões e quatrocentos milhões de dólares em derivativos.
O BID, por meio do Banco Central, atuará para proteger os investimentos contra flutuações cambiais.
A expectativa é mobilizar até um bilhão de dólares de recursos públicos e três bilhões em capital privado. Licitação e divulgação dos resultados estão agendados para o início de 2026.
Desde sua criação na COP28, em 2023, o Eco Invest Brasil realizou três leilões que juntos levantaram mais de setenta e cinco bilhões de reais, dos quais quarenta e seis bilhões foram de investidores estrangeiros. A estratégia tem gerado avanços significativos em termos de compromisso internacional.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que o projeto "cria oportunidades que gerem renda, inclusão e conservação".
O governo projeta um ritmo mais controlado para 2026 com prioridade em governança e transparência dos projetos. Já está previsto o lançamento de um portal público para monitoramento dos resultados.