Marcha da Consciência Negra atrai grande público na Paulista

Militância e cultura afro-brasileira marcam evento organizado por movimentos sociais em São Paulo

20/11/2025 às 20:48
Por: Redação

Na manhã desta quinta-feira, 20 de novembro, a Avenida Paulista, centro de São Paulo, tornou-se palco para a 22ª Marcha da Consciência Negra - Zumbi e Dandara 300+30. O evento, organizado pelo Movimento Negro Unificado (MNU) e a União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), reuniu centenas de pessoas em um ato simbólico que reforçou a importância histórica de Palmares e a presença dos negros em posições de poder na sociedade.

 

Os participantes da marcha, em sua maioria ativistas e simpatizantes da causa negra, celebraram a cultura e a luta por igualdade através de apresentações culturais. O ato contou com danças e músicas de religiosidade afro-brasileira e shows variados que incluíram ritmos como reggae, MPB e Black Music. Durante as intervenções, discursos destacaram a necessidade da mobilização em torno de questões comuns à comunidade negra.

 

Reflexão sobre desigualdade e direitos

O professor Ailton Santos, ligado à organização do evento, enfatizou a persistência da exclusão social dos negros no Brasil. Em declaração à Agência Brasil, ele destacou a urgência de incluir efetivamente os negros em uma sociedade que se autointitula democrática, mas que, ainda, marginaliza uma parte significativa de sua população.


"Diariamente, o povo negro sofre em função de várias violências. Normalmente falamos da morte matada, mas esse é o último estágio, porque até ela chegar, passamos diariamente por outras, que envolvem mobilidade, segurança, saúde e educação."


Segundo ele, a cobertânda social precisa ser ajustada para contemplar uma reparação justa, com projetos que ampliem a participação dos negros nas decisões sociais e políticas. A proposta atual na mesa envolve um fundo de 20 milhões de reais para este fim.

 

Experiências pessoais refletem realidade

Ana Paula Félix, 56 anos, que esteve presente na marcha, compartilhou suas preocupações sobre o preconceito e as dificuldades enfrentadas pela população negra. Ela valorizou as conquistas de seus filhos por meio de acesso a políticas públicas de educação, mas reafirmou que os desafios do dia a dia continuam a ser ameaças constantes.


"Você sabe que periferia ainda é o pior lugar para os negros morarem, porque é o lugar que a polícia não respeita. E nossos filhos é que pagam esse preço. Então a gente tem que estar sempre falando aos nossos filhos: Cuidado, não corre na rua, anda sempre com documento, põe sempre a camisa, esteja sempre com o cabelo cortado, barba feita. Porque são os negros que mais morrem."


Pais como Ana Paula vivem na dualidade entre celebrar avanços e permanecer vigilantes quanto às realidades que ainda precisam ser transformadas, destacando a importância de uma comunidade unida e ativa.

 

Espaço para reivindicações futuras

A caminhada seguiu até o Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde novas pautas e reivindicações foram colocadas à mesa. Giovana Santos, de 31 anos, que trabalha como atendente de telemarketing, parou para ouvir. Ela considera fundamental acompanhar quais políticas públicas estão efetivamente em prática, especialmente quanto à violência policial, uma questão que julga essencial para a comunidade.


"Temos visto a polícia, que deveria sempre nos proteger, nos atacar. É muito importante a população saber disso, e é muito bom saber que os movimentos têm se organizado para reivindicar. Embora ainda pareça um sonho, a gente sentar e conversar e tentar se entender", afirmou.


Essas discussões e encontros são elementares para um movimento que busca, além de preservar a memória e a cultura, tornar efetivas as mudanças pela igualdade e justiça social no tecido da sociedade brasileira.

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