Marcha Mundial pelo Clima agita Belém durante COP30

Movimentos sociais e indígenas lideram protestos por justiça climática e demarcação de terras.

15/11/2025 às 00:06
Por: Redação
Milhares de pessoas são esperadas nas ruas de Belém neste sábado (15) para participar da Marcha Mundial pelo Clima, organizada por movimentos sociais e coletivos populares. O evento ocorre paralelamente à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), com apoio da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, contando com representantes internacionais e comunidades do Pará. A manifestação integra uma série de eventos voltados para conscientização climática e justiça social. Representantes de organizações de todos os continentes participam, destacando a importância da demarcação de territórios tradicionais e do financiamento para a transição a uma economia de baixo carbono. Uma carta sobre esses pontos será divulgada ao final da marcha. ## Presença marcante da sociedade civil Após a realização em países com regimes políticos fechados, a COP30 em Belém favorece uma participação ativa da sociedade civil. A semana já foi marcada por várias manifestações, incluindo confrontos entre indígenas e seguranças, e marchas de extrativistas defendendo seu papel na proteção das florestas. Os indígenas Munduruku conseguiram se reunir com autoridades brasileiras, destacando sua resistência às pressões do garimpo e do agronegócio. "Trata-se de um grande momento de vazão de demandas populares e de poder decisório global”, afirmou Carol Santos, da Engajamundo. No sábado, a marcha contará com lideranças indígenas, representantes de organizações nacionais e internacionais, e membros do setor público e privado. Estão programadas atividades culturais, como oficinas e desfiles que celebram a cultura paraense, sob o tema "Lutar e Resistir contra os Predadores da Vida Disfarçados de Progresso". ## Diálogo e propostas para o clima A concentração do evento será no Mercado São Brás, com destino à Aldeia Amazônica. Participantes como Anais Cordeiro, do Comitê Chico Mendes, destacam a forte mobilização de povos indígenas e comunidades periféricas, que se reúnem em espaços de discussão, como o Espaço Chico Mendes e a Fundação Banco do Brasil no Museu Emílio Goeldi. Lygia Nassar ressalta a importância da cooperação internacional para uma nova governança climática. O Comitê COP 30 elaborou o documento “Nossa Chance para Adiar o Fim do Mundo”, com propostas de mais de cem organizações. Este documento será apresentado durante a cúpula, na Universidade Federal do Pará, à beira do Rio Guamá. A abertura oficial ocorreu com uma barqueata pelo rio, simbolizando a união de diversas vozes por justiça climática. O evento popular encerra no domingo (16), com um balanço geral e a possível presença do presidente da COP30, André Corrêa do Lago. Espera-se que ele receba oficialmente as demandas das entidades da sociedade civil, influenciando negociações futuras da conferência.

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