Ministra destaca interseção entre justiça climática e de gênero

Na COP30, em Belém, ministra Márcia Lopes ressalta que justiça climática exige equidade de gênero

19/11/2025 às 21:58
Por: Redação

Nesta quarta-feira, 19 de novembro de 2025, durante a COP30 em Belém, um dos principais pontos discutidos foi a interseção entre clima e gênero. A ministra da Mulher, Márcia Lopes, enfatizou que alcançar justiça climática é impossível sem que haja justiça de gênero, refletindo as demandas apresentadas no Dia de Gênero do evento. A ação reuniu numerosas participantes que trouxeram luz aos impactos desproporcionais das mudanças climáticas sobre as mulheres.

 

Durante a sua fala, Márcia Lopes destacou que os dados e as experiências diárias revelam que as mulheres são as mais prejudicadas pela escassez de água e insegurança alimentar. Ela apontou que esses desafios se intensificam em territórios específicos, culminando em maior violência e perda de renda durante desastres naturais.

 

Discussão sobre o papel das mulheres

A ministra também salientou que, apesar desses desafios, as mulheres são fundamentais para enfrentar questões climáticas: elas preservam saberes e lideram iniciativas comunitárias de sustentabilidade. Márcia Lopes afirmou que a eficácia das políticas de gestão ambiental pode ser significativamente melhorada com a inclusão feminina.


"Os estudos mostram que, quando as mulheres participam da gestão ambiental, os resultados podem ser até sete vezes mais eficazes", afirmou a ministra.


Além disso, Ana Carolina Querino, representante da ONU Mulheres no Brasil, reforçou a importância de abordar de maneira específica os impactos das mudanças climáticas sobre as mulheres. Ela argumentou que as soluções devem ser construídas com base em particularidades locais, enriquecidas pela resiliência feminina que já estrutura soluções práticas.

 

Desigualdade e soluções específicas

Ana Carolina destacou que é crucial incorporar metas climáticas que considerem as disparidades de gênero. Segundo dados apresentados, mais de 250 milhões de mulheres podem entrar em condições de pobreza devido a mudanças climáticas, em comparação a 130 milhões de homens.


Ela afirmou que "um plano de ação específico não é suficiente sem compromisso político forte e medidas de prestação de contas".


O Dia de Gênero nas COPs, alinhado ao Programa de Trabalho de Lima, busca promover o equilíbrio de gênero. Este programa, iniciado em 2014, foi prorrogado até que novas metas sejam estabelecidas, visando melhoras significativas na liderança e participação das mulheres em temas climáticos.

 

O compromisso em integrar gênero e clima continua na COP30, evidenciando a necessidade de ações sustentáveis que contemplem as especificidades e promovam justiça para todas as partes envolvidas, especialmente as mulheres que, muitas vezes, carregam o impacto direto das adversidades climáticas.

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