Moradias Precarizadas

Estudo revela condições alarmantes nas áreas protegidas da Amazônia Legal

12/11/2025 às 13:37
Por: Redação
Um estudo recentemente revelado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destacou as condições de moradia nas áreas protegidas da Amazônia Legal, comparando-as desfavoravelmente com outras regiões do Brasil. Apontou-se que 75,19% dos lares situados em unidades de conservação ambiental da Amazônia apresentam alguma precariedade, taxa significativamente superior à média nacional de 27,28%. Esses dados ganham importância ainda maior no contexto da 30ª Conferência da COP30 realizada em Belém. O estudo abrangeu 1.053 áreas protegidas, compreendendo unidades de conservação, terras indígenas e territórios quilombolas. Essas áreas, que ocupam quase metade da Amazônia Legal, incluem estados como Rondônia, Acre, Amazonas e outros. ## Desigualdade nos índices de alfabetização Dentro das unidades de conservação, que abrangem quase 1,3 milhão de km², a taxa de alfabetização é de 87,08%. Esse número está abaixo da média nacional, que é de 93%. Nas terras indígenas, aproximadamente 98,04% dos moradores enfrentam precariedades relacionadas a serviços básicos, como água e esgoto. O IBGE excluiu de sua análise as habitações tradicionais indígenas, como as malocas. "Esses dados mostram que ainda não existe um investimento adequado, no sentido de ser adaptado para a realidade mais rural e mais isolada", afirma a analista do IBGE Marta de Oliveira Antunes. Enquanto a alfabetização em terras indígenas dentro da Amazônia atinge 77,25%, o índice nas terras indígenas em todo o Brasil é maior, em 79,44%. Além disso, 75,05% dos moradores dessas áreas convivem com múltiplas precariedades simultaneamente. ## Territórios quilombolas e desafios estruturais Os territórios quilombolas na Amazônia também enfrentam desafios significativos. Englobando uma área equivalente ao tamanho de Alagoas, abrigam 92 mil pessoas. Nestes locais, 96,90% dos lares enfrentam algum nível de precariedade, um número superior à média nacional de territórios quilombolas, que é de 85,89%. O fato de algumas regiões serem mais isoladas contribui para a falta de investimento em infraestrutura adaptada às suas necessidades. Mais de um terço dos habitantes desses territórios lidam com precariedade em esgoto, lixo e água simultaneamente, uma situação pior nas áreas quilombolas da Amazônia em comparação com a média nacional.

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