
No dia 12 de novembro, às 17h30, Nei Lopes e Luiz Antonio Simas, renomados autores e compositores, participam de uma discussão no clube de leitura do Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro. O evento foca em suas obras Bantos, malês e identidade negra, de Lopes, e O Corpo Encantado das Ruas, de Simas. A coincidência da data antecede o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.
Os livros dos autores foram selecionados pelo público do clube e incentivam uma reflexão sobre a historiografia negra no Brasil. A escolha de suas obras destaca a importância de revisitar a história, particularmente no que tange aos grupos bantos e malês, que desempenharam papéis essenciais no desenvolvimento sócio-cultural do país.
O livro de Nei Lopes, Bantos, malês e identidade negra, explora aspectos do preconceito contra negros na historiografia brasileira até a década de 1970. Lopes procura desmistificar a visão de superioridade atribuída aos negros malês, escravizados letrados originários da África Ocidental, envolvidos na Revolta dos Malês em 1835. O autor sugere que essa visão historiográfica desfavorável aos bantos, trazidos principalmente do Congo e Angola, perpetua distorções sobre suas contribuições culturais.
“O escravismo brasileiro foi eminentemente banto, como prova afro-originada principalmente na música, nas danças dramáticas, na linguagem, na farmacologia, nas técnicas de trabalho e até mesmo nas estratégias de resistência aqui desenvolvidas”, afirma Nei Lopes.
Esse argumento é reforçado nas manifestações culturais brasileiras, como o samba, que Lopes defende serem de raízes banto. O evento no CCBB proporciona uma oportunidade para aprofundar essa discussão e avaliar como as identidades negras são representadas historicamente.
Luiz Antonio Simas, em O Corpo Encantado das Ruas, explora a presença banto no Rio de Janeiro, impactando significativamente a cultura carioca atual. As ruas do Rio, segundo Simas, são um espaço onde se vê a herança afro-brasileira de forma palpável, espelhando a maior cidade africana do século 19 fora da África, muito marcada pela diversidade negra.
Simas aponta que a vivência das ruas no Rio de Janeiro forma uma perspectiva cultural fundamentada na africanidade, essencial para a identidade urbana carioca.
Os autores também colaboraram anteriormente no Dicionário da história social do samba, mostrando o compromisso contínuo com a história e a cultura africanas no Brasil. A mediadora do evento é Suzana Vargas, juntamente com o poeta Ramon Nunes Mello.
Quando: quarta-feira (12/11) às 17h30
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro/RJ
Quanto: evento gratuito - ingressos disponíveis na bilheteria do CCBB ou pelo site bb.com.br/cultura a partir das 9h do dia do encontro.
Classificação indicativa: 14 anos
Os vídeos do evento serão posteriormente acessíveis no YouTube do Banco do Brasil, segundo os organizadores. Isso possibilita um maior alcance e continuidade na discussão sobre a rica herança afro-brasileira.