
O Brasil registrou um aumento significativo no número de trabalhadores sindicalizados em 2024, após mais de dez anos de queda. O número cresceu para 9,1 milhões, representando 8,9% dos 101,3 milhões de trabalhadores ocupados no país. Este avanço de 812 mil pessoas em relação ao ano anterior representa um incremento de 9,8%.
Apesar do aumento recente, o número de sindicalizados ainda permanece abaixo dos 14,4 milhões registrados em 2012, representando uma queda de 36,8% ao longo de doze anos. A informação faz parte da edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 19 de novembro de 2025.
Em 2017, a reforma trabalhista impactou negativamente a filiação sindical, com a retirada da contribuição obrigatória. William Kratochwill, analista da pesquisa, observa uma correlação clara entre a adoção da reforma e a queda no percentual de sindicalizados.
“Os dados mostram uma correlação forte entre a implantação da lei e a queda do percentual de pessoas sindicalizadas”, aponta Kratochwill.
O recente aumento de sindicalizados é atribuído a uma recuperação da percepção sobre a importância dos sindicatos entre os trabalhadores, segundo o analista do IBGE.
A maioria dos novos sindicalizados em 2024 pertence à faixa etária acima de 30 anos, com destaque para o grupo de 40 a 49 anos, que representou 32% dos novos filiados. Em contraste, apenas 0,7% dos novos sindicalizados estavam na faixa etária de 14 a 19 anos.
“Talvez seja uma recuperação daquelas pessoas que um dia já tenham sido sindicalizadas e retornaram”, sugere Kratochwill.
O baixo índice de sindicalização entre os jovens aponta para uma falta de renovação nos quadros associativos.
A pesquisa do IBGE revela que 30,9% dos sindicalizados atuam em setores relacionados à administração pública, educação e saúde. A indústria representa 16,4% dos sindicalizados, seguida pelos setores de informação, comunicação e finanças, com 13,3%.
“Quem entra para o setor público acaba tendo uma tendência maior de se sindicalizar”, observa Kratochwill.
Taxas de filiação variam significativamente entre as atividades, com a administração pública liderando com 15,5%.
Entre os trabalhadores com nível superior completo, a taxa de sindicalização atinge 14,2%. Já entre aqueles com ensino médio completo e superior incompleto, a taxa é de 7,7%.
“O esclarecimento que se dá por meio do nível de instrução pode favorecer movimentos no sindicalismo”, avalia o analista.
Empregados no setor público apresentam uma taxa de sindicalização de 18,9%, uma das mais altas em comparação a outros grupos.
Um dado relevante é a redução da diferença entre a participação sindical de homens e mulheres desde 2012. Hoje, eles representam 57,6% dos sindicalizados, enquanto elas são 42,4%. A taxa de associação para homens é de 9,1% e para mulheres, 8,7%.
A diminuição nas diferenças entre os dois grupos mostra uma tendência de maior participação feminina nos sindicatos nos últimos anos.