Omissão em Investigações no RJ Gera Reação Internacional

ONG denuncia possível negligência intencional da polícia em operação fatal.

02/11/2025 às 20:29
Por: Redação
A Organização Não Governamental Human Rights Watch criticou severamente a atuação da polícia do Rio de Janeiro, apontando falhas significativas na apuração de 121 mortes durante a Operação Contenção, ocorrida em 28 de outubro. Segundo a ONG, o relatório destacava um possível desinteresse intencional nas investigações, dado que as vítimas eram majoritariamente negras e de baixa renda. De acordo com a Human Rights Watch, a polícia deixou de preservar os locais dos tiroteios, comprometendo a análise e a verificação das circunstâncias das mortes. O diretor da organização no Brasil, César Muñoz, expressou grande preocupação com a possibilidade de perda de evidências cruciais. "Estamos muito preocupados com o fato de que etapas cruciais da investigação não foram realizadas e que provas importantes podem já ter sido perdidas", afirmou Muñoz. A chamada Operação Contenção mobilizou 2.500 policiais de diferentes unidades para atacar pontos do Comando Vermelho nas zonas norte do Rio de Janeiro, resultando em tiroteios intensos e na morte de 64 pessoas em seu primeiro dia, incluindo civis e menores de idade. Outras vítimas foram encontradas em uma área de mata, após uma emboscada do Bope em uma rota de fuga da facção, com registros feitos por moradores mostrando cenas chocantes levadas às redes sociais antes do meio-dia do dia 29 de outubro. Familiares das vítimas relataram à imprensa indícios de execução, como corpos com mãos e pernas amarrados, sugerindo sinais de rendição. As investigações estão sob intensa crítica pela falta de perícia adequada e isolamento das cenas dos crimes, prejudicando a confirmação do uso de armas pelas vítimas. Em sua declaração, Muñoz cobrou das autoridades brasileiras uma investigação rápida, completa e imparcial para cada uma das mortes, além de reformulação nas práticas de perícia, sugerindo ao governador do Rio um projeto de lei para separar a perícia da Polícia Civil, priorizando análises independentes. A ONG também ressaltou a dificuldade enfrentada pela Defensoria Pública e observadores independentes em acessar o Instituto Médico Legal, para onde os corpos foram levados. Recomenda-se, entre outras medidas, a presença de peritos independentes e investigações conduzidas pelo Ministério Público. Até o momento, as polícias civil e militar não responderam às críticas.

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