Recentemente, uma pesquisa realizada pelo Instituto Data Favela revelou que 58% dos entrevistados, entre quase 4 mil pessoas envolvidas no tráfico de drogas, desejam deixar essa atividade desde que assegurem estabilidade financeira. O estudo foi divulgado em 17 de novembro de 2025. O levantamento, denominado Raio-X da Vida Real, foi conduzido em favelas de 23 estados entre agosto e setembro de 2025, em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA). Ele revelou que a falta de oportunidades é um dos principais fatores para a continuidade no crime. ## Fatores motivacionais Os dados destacaram que 22% dos participantes deixariam o tráfico para abrir seu próprio negócio, enquanto 20% sairiam se conseguissem um emprego formal. No entanto, 31% afirmaram que não abandonariam o crime, mesmo com a possibilidade de uma alternativa econômica estável. "Os participantes buscam alternativas viáveis para sair do crime, mas muitas vezes enfrentam falta de oportunidades reais", ressaltou a pesquisa. O estudo também revelou variações regionais. No Ceará, 44% dos entrevistados não deixariam o crime, enquanto, no Distrito Federal, 77% prefeririam permanecer na atividade criminal. ## Remuneração e dificuldades O principal motivo para a manutenção no tráfico é a remuneração, com 63% dos envolvidos recebendo até dois salários mínimos mensais através da atividade ilícita. A renda média estimada é de 3.536 reais, embora 18% aleguem não sobrar dinheiro no final do mês. "O custo-benefício do crime é baixo, pois os ganhos não compensam os riscos envolvidos", comentou Geraldo Tadeu Monteiro, diretor técnico do Instituto Data Favela. Os entrevistados frequentemente buscam outras formas de renda. O estudo apontou que 36% mantêm atividades adicionais, e 42% fazem "bicos" para complementar a renda. ## Motivações para a entrada no tráfico A necessidade econômica é a razão mais citada para ingressar no tráfico. A pesquisa revelou que muitos inicialmente acreditam que o dinheiro será suficiente para uma vida melhor, mas logo descobrem que não é o caso. “Essas pessoas entram no tráfico pensando em resolver suas dificuldades financeiras, mas rapidamente percebem a realidade diferente”, destacou o diretor técnico. 36% dos entrevistados têm outros trabalhos remunerados para aumentar a receita, enquanto 16% possuem empregos formais paralelos e 14% ajudam em empreendimentos de amigos. Pequenos negócios, como barracas de alimentação, são comuns. ## Resultados da pesquisa Das 5 mil entrevistas realizadas, 3.954 foram validadas. A pesquisa é considerada a maior do gênero, abordando temas como perfil, rendimento e expectativas. O perfil dos entrevistados mostra que 79% são homens e 21% mulheres, com a maioria sendo jovem, negra, e de baixa escolaridade. Questões familiares e sociais, como a importância da figura materna, também foram exploradas.