PF Indicia Silvio Almeida por Importunação Sexual

Investigações apontam denúncias ligadas ao movimento Me Too; desdobramentos dependem de avaliação da PGR.

15/11/2025 às 14:23
Por: Redação
A Polícia Federal indiciou Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos, por importunação sexual. O indiciamento, ocorrido na sexta-feira (14), encerra a fase de inquérito que se iniciou após acusações surgirem em 2024. O caso tramita em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) e foi remetido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para decisão sobre possíveis desdobramentos, como denúncia, novas diligências ou arquivamento. As investigações, conduzidas pelo ministro André Mendonça no STF, incluem análise do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O crime de importunação sexual, definido no Código Penal, implica prática de atos libidinosos sem consentimento, com penas que variam de um a cinco anos de prisão. ### Contexto das Denúncias As acusações ganharam notoriedade em setembro de 2024, quando relatos foram divulgados por meio do movimento *Me Too*. A organização, que apoia vítimas de violência sexual, recebeu denúncias de mulheres que alegaram comportamento inadequado de Almeida. Em decorrência, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva destituiu o ministro em 6 de setembro de 2024, levando a uma investigação formal pela PF. > "As investigações aprofundaram-se após as denúncias virem à tona", informou uma fonte próxima ao caso. Entre as testemunhas, constou a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que em outubro de 2024 confirmou à PF ser uma das vítimas. Em entrevista, Anielle relatou sua hesitação inicial em denunciar por medo de descrédito, mencionando ocorrências desde 2022. ### Silvio Almeida e o Movimento Me Too Até sábado (15), Silvio Almeida não havia comentado publicamente o indiciamento. Nos últimos meses, ele insiste na negação das acusações e aponta motivações políticas e raciais por trás delas. Em fevereiro, durante uma entrevista ao *Portal UOL*, Almeida refutou qualquer comportamento impróprio e minimizou seu contato com Anielle Franco. > O ex-ministro afirma que está sendo alvo de "tentativa de apagamento." Em declarações no YouTube, criticou o movimento *Me Too*, acusando-o de manipulação para fins políticos. No entanto, a ministra Cármen Lúcia, do STF, exigiu que Almeida explicasse tais alegações em março. ### Próximos Desdobramentos Com a conclusão do indiciamento, o caso agora aguarda a análise da PGR para definir se haverá denúncia, novas ações ou arquivamento dos processos. Simultaneamente ao procedimento criminal, o ex-ministro enfrentou investigações na Comissão de Ética da Presidência. Em 2024, duas novas denúncias foram apresentadas contra ele, sem relação direta com as acusações sexuais, das quais uma foi arquivada no final do ano.

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