No dia 12 de março, quatro policiais militares armados entraram na Escola Municipal de Educação Infantil Antônio Bento, localizada no Butantã, São Paulo, após um pai acionar a polícia. Ele alegou que sua filha estava sendo obrigada a participar de aulas sobre religião africana.
A ocorrência se deu na tarde de quarta-feira, motivada pela insatisfação do pai ao ver um desenho de Iansã feito por sua filha. Ele já havia demonstrado descontentamento no dia anterior, retirando o desenho do mural da escola.
Os policiais permaneceram na instituição por cerca de uma hora, saindo apenas por volta das 17h10, acompanhados pelo pai. Em nota, a diretora Aline Aparecida Nogueira ressaltou que a escola não pratica doutrinação religiosa, e enfatizou que o currículo é baseado em princípios antirracistas. Ela também mencionou ter se sentido coagida pela presença policial.
"O trabalho realizado faz parte de um currículo antirracista e não envolve doutrina religiosa", afirmou a direção da escola.
O incidente causou indignação entre os pais de alunos, que declararam prontidão para testemunhar sobre o ocorrido. A situação também provocou uma resposta oficial do sindicato dos professores, que repudiou a entrada armada na escola.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que a Polícia Militar está investigando a conduta dos oficiais envolvidos, incluindo a análise das imagens das câmeras corporais. A professora responsável pelo projeto registrou um boletim de ocorrência contra o pai por ter se sentido ameaçada.
A PM está "avaliando as imagens corporais e a conduta dos policiais envolvidos no episódio" para uma investigação completa, informou a secretaria.
A Secretaria Municipal de Educação esclareceu que o desenho era parte de um trabalho coletivo, conforme o currículo da cidade que inclui conteúdos afro-brasileiros e indígenas. A repercussão alcançou também o âmbito político, com deputados acionando o Ministério da Igualdade Racial para monitorar a investigação.