A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em Belém destacou o crescente clamor social por acesso direto aos financiamentos climáticos. Grupos como indígenas, afrodescendentes e ribeirinhos questionaram a falta de representatividade, promovendo manifestações significativas no evento. Esses povos, que habitam e protegem ecossistemas vitais para o armazenamento de carbono, têm historicamente recebido uma fração dos financiamentos destinados à mitigação das mudanças climáticas. Apesar de comporem 30% das soluções naturais, apenas 1% dos recursos climáticos os alcança diretamente. ## Importância do Financiamento Direto Na COP30, propostas para garantir maior acesso direto a recursos foram apresentadas, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. Mesmo com investimentos significativos prometidos por países devedores do clima, a especialista Raquel Biderman enfatiza que ainda há uma lacuna financeira. > "Hoje, 3% das finanças climáticas vão para a natureza, e os povos recebem apenas 1% desses 3%", afirma Biderman. Biderman observou que seriam necessários 7 bilhões de dólares anuais para conservar a Amazônia, mas atualmente, apenas 600 milhões de dólares são destinados à região. ## Desafios e Soluções Iniciativas como o ecoturismo e sistemas agroflorestais, já desempenhados por essas comunidades, geram benefícios tanto para a segurança alimentar local quanto para a mitigação global das mudanças climáticas. Entretanto, a falta de recursos financeiros adequados impede a expansão dessas atividades. > Raquel destaca que "existe um mercado de carbono voluntário que inclui participação de diversos setores, mas requer atenção da sociedade". Os financiamentos climáticos enfrentam flutuações políticas enquanto tentam incorporar práticas tradicionais e inovadoras, como fundos de conservação e mercados de carbono. A urgência das mudanças climáticas demanda que essas soluções sejam mais eficazes e financeiramente sustentáveis. ## Bioeconomia como Alternativa A bioeconomia surge como alternativa viável para desenvolver as economias locais e prevenir o aliciamento de jovens por atividades criminosas. Potencialmente, mais de 100 cadeias de produtos da Amazônia poderiam ser exploradas, assegurando a continuidade dos modos de vida tradicionais sem depender de crimes como o tráfico de armas ou drogas. > "Essas populações necessitam de alternativas econômicas seguras para evitar o envolvimento com a criminalidade", conclui Raquel. Portanto, a implementação dessas estratégias pode garantir não apenas a preservação ambiental, mas também a estabilidade social e econômica das comunidades locais, incentivando uma convivência sustentável com a floresta.