Presidente da COP30 Promete Levar Demandas da Cúpula dos Povos a Negociações de Alto Nível

Embaixador André Corrêa do Lago recebe carta final com críticas a “falsas soluções” e apelo por maior participação popular nos debates climáticos.

16/11/2025 às 19:15
Por: Redação
O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), comprometeu-se no domingo, 16 de novembro de 2025, a apresentar as reivindicações da Cúpula dos Povos nas reuniões de alto nível da conferência, agendadas para a semana subsequente. A promessa foi feita durante o encerramento do evento paralelo, onde o embaixador recebeu oficialmente uma carta com sugestões e cobranças por maior engajamento popular nos debates cruciais sobre a emergência climática.O documento, entregue pelo comitê político da Cúpula dos Povos, enfatiza a necessidade premente de inclusão das vozes da sociedade civil nas deliberações globais. Em sua resposta, Corrêa do Lago reconheceu as complexidades das negociações inerentes a um fórum como a COP, que exige consenso entre 195 países. Contudo, ele manifestou otimismo quanto ao aumento da participação social observado em Belém.A Importância da Voz Cidadã O embaixador sublinhou a dificuldade de alcançar acordos unânimes em um ambiente diplomático tão diverso, mas celebrou a amplitude da representação da sociedade civil global na capital paraense. Ele expressou satisfação com o trabalho desenvolvido pela Cúpula dos Povos, assegurando que o registro de tais contribuições será feito na abertura da reunião de alto nível da COP30, que teria início no dia seguinte. “Sabemos que a COP é essencialmente uma vasta negociação no âmbito das Nações Unidas, onde 195 países precisam concordar com tudo por consenso, tornando-a superdifícil. Mas ter a sociedade civil mundial com voz em Belém é absolutamente sensacional”, destacou o presidente da conferência. A gratidão de Corrêa do Lago estendeu-se ao apoio percebido, que, segundo ele, fortalecerá sua presidência na COP. Além da carta principal, o presidente da conferência também recebeu um manifesto da Cúpula das Infâncias, elaborado por cerca de setecentas crianças e adolescentes. Este documento infantil, repleto de apreensão pelo futuro, clama por ações concretas para mitigar a crise climática e garantir um planeta sustentável para as próximas gerações. As crianças e adolescentes rogaram por um futuro onde não haja medo do calor extremo, da poluição, da escassez de água e da extinção de espécies, desejando desenhar florestas vibrantes e não paisagens devastadas. Elas uniram suas vozes em um ideal comum: viver e crescer em um mundo bonito, que ainda respire, repleto de esperança e desprovido de medo. A carta final da Cúpula dos Povos não poupa críticas às “falsas soluções” apresentadas para o combate à emergência climática, defendendo uma visão de mundo orientada pelo internacionalismo popular. O documento enfatiza a troca de conhecimentos e saberes como pilar para construir laços de solidariedade, lutas e cooperação entre os diferentes povos, fortalecendo as verdadeiras soluções que emanam dos territórios e do esforço coletivo. Críticas ao Modelo Capitalista e Demandas Climáticas O texto aponta o modelo de produção capitalista como o principal catalisador da crescente crise climática, destacando que as comunidades periféricas são desproporcionalmente impactadas por eventos extremos e pelo racismo ambiental. A carta identifica explicitamente empresas transnacionais dos setores de mineração, energia, armamento, agronegócio e Big Techs como as maiores responsáveis pela catástrofe planetária. Entre as demandas cruciais apresentadas, figuram a demarcação de terras indígenas e de outros povos tradicionais, a reforma agrária, o incentivo à agroecologia, o fim do uso de combustíveis fósseis, e o financiamento público para uma transição justa, que inclua a taxação de grandes corporações, do agronegócio e dos indivíduos mais abastados, além do fim das guerras. O documento reitera a exigência por maior participação e protagonismo dos povos na construção de soluções climáticas, reconhecendo os saberes ancestrais e a riqueza da multidiversidade cultural e cosmovisões como referências fundamentais para enfrentar as múltiplas crises que afligem a humanidade e a Mãe Natureza. A Mobilização na Cúpula dos Povos A Cúpula dos Povos mobilizou aproximadamente 70 mil indivíduos, reunindo um espectro diverso de movimentos sociais locais, nacionais e internacionais, incluindo povos originários e tradicionais, camponeses, indígenas, quilombolas, pescadores, extrativistas, marisqueiras, trabalhadores urbanos, sindicalistas, população em situação de rua, quebradeiras de coco babaçu, povos de terreiro, mulheres, comunidade LGBTQIAPN+, jovens, afrodescendentes e idosos, provenientes da floresta, do campo, das periferias, e dos ecossistemas aquáticos. O evento, considerado o maior espaço de participação social da conferência climática, teve início em 12 de novembro, em paralelo à COP30, e foi marcado por críticas contundentes à ausência de maior envolvimento popular nas discussões oficiais. As cerca de 1.300 organizações e movimentos participantes censuraram a omissão ou as soluções consideradas ineficazes por parte de países, especialmente os mais ricos, que colocam em risco a meta de 1,5°C do Acordo de Paris. A abertura da Cúpula foi pontuada por uma vibrante “barqueata” na orla de Belém, com centenas de embarcações navegando pela Baía do Guajará em defesa da Amazônia e de seus povos. No dia anterior, 15 de novembro, cerca de 70 mil pessoas participaram da Marcha Mundial pelo Clima, uma manifestação expressiva que tomou as ruas da capital paraense, exibindo a rica diversidade cultural e social da Amazônia. Os cinco dias de debates, mobilizações e manifestações culminaram em um “banquetaço” na Praça da República, no centro de Belém, com distribuição de alimentos por cozinhas comunitárias e celebrações culturais abertas ao público.

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